sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

"Envelopamento" de guitarra com vinil adesivo, funciona ?

Olá !

Alguns me perguntam sobre alterar o revestimento da guitarra com essas folhas de vinis autoadesivo, material que está sendo muito utilizado em carros, mobílias e hobbysmo, é um material relativamente barato, fácil de aplicar e pode ser retirado sem problemas, caso o resultado final não seja satisfatório.

Bem, eu sou muito cauteloso com soluções caseiras para pintura de guitarra, minha experiência é que não fica muito bom, pintura e revestimento de guitarra é coisa complexa, não é à toa que raríssimos profissionais fazem esse serviço com qualidade, o revestimento com PU é um acabamento incrivelmente resistente, a guitarra por vezes cai no chão, bate na porta e tal e você se surpreende por não achar marcas !

Apesar do envelopamento ser resistente não tem comparação com uma pintura profissional, outro problema é que o envelopamento funciona muito bem em superfícies retas, não acredito muito que em um corpo cheio de curvas como uma stratocaster isso fique bom, em todos os casos, existem muitos vídeos no youtube, assistam e tirem suas conclusões...

Em resumo, eu não recomendaria, como é um material barato, você até pode fazer uma experiência, se não der certo é só retirar, mas vamos lembrar que é muito complicado para um iniciante desmontar, remontar e regular a guitarra, coisa trabalhosa até para os experientes.

No entanto, embora eu não recomende para o revestimento do corpo, isso não quer dizer que o material não possa ser usado para coisas menores, como, por exemplo, revestir escudos e plásticos.

Eu usei essa técnica para fazer "matching headstocks" (headstock com cor combinando com a cor da guitarra) em duas stratos e gostei bastante do resultado, ficou muito bonito e se eu tivesse mandado pintar teria ficado caríssimo !

Vejam as fotos:




É isso, abç a todos !

Mad


Configurações possíveis de captadores em uma Stratocaster

Muita gente não entende essa coisa de SSS, HSH, etc, segue então uma figura para esclarecer o assunto. Qual é a melhor ? Você decide !


quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

O que é melhor, braço com escala escura ou escala clara ?

Olá !

Novo ano, que 2017 seja um ano nota 10 (2+0+1+7) para todos nós !

Essa é uma questão que intriga todo iniciante, por que algumas guitarras têm a escala clara e por que outras têm a escala escura ? Qual é a melhor ? Quais são as diferenças entre elas ?

Bem, a primeiro coisa a analisar é o tipo de construção da guitarra, se ela tem braço parafusado (tipo Stratocaster e Telecaster) ou braço colado (tipo Les Paul ou SG). Isso porque em geral, a maior parte das guitarras com braço colado possuem escala em cor escura, portanto, vamos analisar essa questão partindo do pressuposto de que estamos falando de uma guitarra de braço parafusado.


Construção

As guitarras de braço parafusado costumam ter dois tipos de construção para o braço:

1) Braço em peça única: o maple é uma madeira comum no hemisfério norte e é utilizada para fazer braços na maior parte das guitarras. É uma madeira de cor branca, assim quando o braço for inteiramente construído em peça única de Maple terá evidentemente a escala em cor clara. Isso também acontece com braços fabricados com pau marfim, uma madeira brasileira.

Braço em Maple, peça única


2) Braço em duas peças: nesse tipo de construção, a escala (parte da madeira onde estão situados os trastes) é feita em uma peça de madeira à parte, a madeira mais utilizada comumente é o rosewood, madeira de cor escura da família do nosso jacarandá, então, quando vemos um braço com escala escura estamos diante de um braço construído em duas peças, ainda que existam braços construídos inteiramente em rosewood ou outra madeira escura, mas isso é mais raro.

                                   Braço em Maple com escala em Rosewood


Ocorre que de uns anos para cá ficou comum encontrarmos braços com escala clara porém, construídos em duas peças, assim, o braço é de maple e a escala também é maple mas são duas peças coladas e não uma peça só. Isso é mais comum em guitarras asiáticas de baixo custo. Por que fazem isso ? Provavelmente para otimizar os custos de fabricação, fabricam o braço e depois decidem se receberá uma escala clara ou escura, de acordo com os pedidos comerciais.

Alguns pensam que braços fabricados assim são inferiores em termos de timbre aos braços em peça única de maple, não tenho argumentos para validar essa afirmativa mas nunca vi um braço de escala clara em duas peças soar bem, portanto, só compro braço de escala clara se for peça única, mas é uma observação pessoal.

Como é possível saber se o braço tem duas peças de maple ? Olhando a lateral do braço com atenção é possível ver as duas peças de maple coladas...


Diferenças de Timbre

 É um fato reconhecido entre os guitarristas mais experientes que os braços com escala em rosewood e os com escala em maple possuem diferenças de sonoridade, muitas vezes os fabricantes colocam captadores com especificações diferentes para compensar melhor essas diferenças timbrísticas. As escalas claras tendem a soar mais agudas e estaladas, um timbre favorável ao rock'n roll e ao country, etc. Já as escalas escuras "amaciam" o timbre, destacando melhor os médios e os graves. É difícil explicar essa diferença em palavras, até porque é uma diferença pequena, porém perceptível. Eu considero que os braços de escala escura soam mais equilibrados mas isso é extremamente pessoal. O ideal é você experimentar os dois tipos e ver qual agrada mais !


E qual dos dois é melhor ?

Muito bem, já vimos as diferenças dos dois tipos e também sabemos que o melhor timbre é uma questão muito pessoal. Então tanto faz, não ?... Não !

Existem algumas considerações práticas pelas quais eu considero os braços de escala escura melhores, vamos vê-las então.
  • Os braços de escala clara são mais sujeitos ao mofo e ao encardimento, assim os fabricantes colocam uma grossa camada de verniz na escala clara, coisa que não acontece com as escalas escuras, onde a madeira vêm crua. Eu não gosto da pegada do braço envernizado, parece que meus dedos agarram mas isso também é pessoal, tem guitarrista que prefere mas fica o alerta.
  • Infelizmente o verniz aplicado nas escalas claras dificulta o procedimento para nivelamento de trastes, obrigando o Luthier ou o guitarrista a proteger a escala com fita crepe caso queira nivelar os trastes ou mesmo fazer um polimento mais elaborado nos mesmos. Isso não acontece com as escalas escuras.
  • O procedimento para troca de trastes nas escalas claras é bem mais complicado por causa do verniz das escalas claras, é necessário aquecer o traste antes de removê-lo e não raro esse procedimento deixa alguma marca, coisa que não acontece nas escalas escuras.
  • A medida em que a guitarra envelhece, os braços de escala clara vão ficando com um aspecto encardido (há quem goste!), parece, sujos e mofados, isso se dá pelo desgaste do verniz e infiltração de impurezas, vejam:



Conclusão

Então, por tudo que vimos, considerados os fatores de preferência pessoa e ainda, que esse é um blog para iniciantes, o meu conselho para os iniciantes é que quando forem escolher uma Stratocaster ou Telecaster escolham uma com a escala ESCURA ! E tenho dito !

Abç a todos, um grande 2017 para todos nós !

Mad

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Ricardo Silveira - 6º Festival Choro Jazz

Vale a pena assistir, além do guitarrista, um dos melhores do Brasil, o destaque é  o som transcendental dessa PRS Hollowbody II, que inclui um sistema de captação piezzo que permite tirar sons de violão na guitarra, inclusive misturando esse som com a saída dos humbuckers, gerando uma variedade de timbres incrível, está aí uma guitarra que vale o que custa !

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Ainda madeiras, agora segundo a Fender...

http://www2.fender.com/experience/tech-talk/tech-talk-ash-and-alder/

destaque:

ALDER

"Fender adopted alder for electric instrument bodies in mid 1956, not because of a detailed scientific evaluation of its sonic properties, but probably for no other reason than it was there; that it was readily available and more affordable than ash. Ever since, it is the body wood for the majority of Fender electric instruments. It was and still is a very good choice."




domingo, 25 de setembro de 2016

A madeira do corpo tem influência no som da guitarra ?! (Final)

Olá !

Nessa semana em que nosso Blog completa 4 anos de existência, finalmente apresento a conclusão do artigo sobre a influência das madeiras no timbre.Na primeira parte do artigo (leia aqui), vimos que alguns colocam em dúvida a influência da madeira utilizada na construção do corpo de uma guitarra sólida no timbre final do instrumento. Já na segunda parte, (leia aqui), pedimos até ajuda dos alienígenas para discutir alguns fatores que podem evidenciar a influência da madeira do corpo no timbre do instrumento...

Concluindo o assunto, vou apresentar algumas observações e opiniões pessoais para ajudar aqueles que acreditam nessa influência na hora de adquirir uma guitarra.

Guitarras antigas = Madeiras secas !

Tendo tocado em muitas guitarras, observei que só algumas pouquíssimas realmente têm aquele timbre diferenciado que procuramos. Analisando esses instrumentos, não tenho dúvidas de que as madeiras fazem a total diferença no som final. Toquei em duas stratocasters que realmente me impressionaram bastante, coincidência ou não, as duas eram Fenders americanas fabricadas nos anos 70, uma delas tinha um belo corpo em ash com acabamento natural (idêntica a que o Blackmore tocou no California Jam) e a outra teve o seu corpo grotescamente recortado, quem seria o louco que fez um mutilação dessas. No entanto, o som era incrível.

Além da idade, essas stratocasters tinham outra características em comum: eram bem leves. Já falei aqui no Blog que uma stratocaster equilibrada pesa entre 3,9kg e 3,6kg (o que não quer dizer que as que estão fora dessa faixa sejam necessariamente ruins). Pois bem, as duas guitarras em questão deveriam estar no início da faixa, sendo que a segunda era ainda mais leve pela mutilação do corpo.

Muito bem, qual seria a suposição para a qualidade do som das guitarras ? Primeiramente, madeiras secas. Em segundo lugar, não podemos ignorar também que os captadores originais de alnico se desmagnetizam ao longo do tempo, alterando o seu timbre e soando mais vintages... Estamos falando de guitarras com 30, 40 anos de idade...

Os fabricantes de guitarras de qualidade costumam (ou costumavam...) usar madeiras envelhecidas para montar seus instrumentos, quando não faziam isso, secavam as madeiras em estufa pelo tempo que fosse necessário.

Olhem, é claro que as guitarras baratas fabricadas na ásia não observam esse quesito, os caras pegam a madeira disponível, montam a guitarra e ponto final. Já via até mofo dentro de guitarras assim... Ora, a umidade da madeira vai influir no som do instrumento. E é por isso que eu acredito que o som da guitarra pode melhorar com os anos, na medida em que as madeiras vão perdendo a umidade para o meio ambiente, isso já aconteceu com instrumentos meus.

Densidade da Madeira

Uma outra questão muito interessante é a densidade da madeira do corpo. Pessoalmente, acredito que a densidade da madeira é mais importante do que o tipo da madeira em si. Percebi isso analisando duas coisas: 1) fazendo upgrades em stratocasters de baixo custo com o corpo em basswood, percebi que aquelas que tinham um peso mais próximo das stratocasters feitas com madeiras tradicionais (alder e ash) tinha um resultado muito bom, soavam como stratocasters clássicas, já as que eram muito pesadas ou muito leves não tiveram um bom resultado. 2) as stratocasters feitas com madeiras brasileiras (freijó, cedro, mogno) não soam muito como stratocasters clássicas, possuem o som mais grave, por vezes "abafado", isso não quer dizer que sejam ruins, são só diferentes mas costumam decepcionar alguns compradores, no entanto, as que possuem o corpo feito em marupá já soam mais próximas ao alder, não coincidentemente, o marupá é madeira que tem o peso mais próximo ao do alder...

Algumas Conclusões Práticas

Então vamos usar o que foi aprendido na hora de comprar um instrumento. Vamos supor que preciso comprar uma stratocaster e meu dinheiro só dá para pegar uma chinesinha com o corpo em basswood...

Sabemos que a densidade da madeira é muito importante, então o primeiro cuidado é comprar uma que tenha o corpo com a espessura padrão das Fenders, ou seja, 4,5 cm. Mais uma vez, isso não quer dizer que uma guitarra um pouco mais fina seja necessariamente ruim, mas já que vamos comprar uma, vamos pegar logo uma com a espessura correta !

Depois, vamos escolher uma que tenha um peso dentro da faixa que eu citei acima (3,6/3,9 kg). Bem, vc não vai levar uma balança para loja, mas procure ter uma noção pegando, digamos, uma sacola com 3,5kg de alguma coisa !

Por fim, pense na possibilidade de pegar uma guitarra usada, fabricada nos anos 90 ou anos 2000, o Mercado Livre está cheio delas e são mais baratas ainda mas só faça isso se contar com alguém experiente (seu professor ?) para te ajudar a escolher pois comprar guitarra usada sempre traz riscos....

A pergunta que não quer calar !

E  por fim, vamos responder a pergunta que  nos propusemos no início da serie: "uma strat com o corpo de basswood pode soar como uma boa strat de alder ou ash ?"

Na minha opinião pode SIM, por que não poderia, observadas as conclusões acima ? É claro que terá que ter bons captadores, ferragens, etc.

E que não acredita pode conferir nas centenas de vídeos no youtube que mostram stratocasters feitas em basswood com um timbre maravilhoso de strat, como esse abaixo.

É isso abraços a todos !

Mad


quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Basswood vs Alder - Guitar Tonewood Comparison!

Olá !

Em breve estarei postando a parte final do artigo sobre a influência da madeira, vamos aproveitar então para assistir esse vídeo postado por um guitarrista do Canadá, muito interessante para a retomada da discussão.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Stratocaster HH, a saga !

Olá !

Muito bem, vamos trabalhar um pouquinho ?!

Sei que estou devendo a conclusão do artigo sobre a influência das madeiras no timbre mas finalizei há poucos dias um upgrade que ajudou a firmar algumas opiniões sobre o tema, portanto, vou postar sobre esse upgrade antes de finalizar o artigo sobre madeiras, ok ?

Então, sempre tive muita curiosidade e vontade de ter uma stratocaster com a configuração HH (dois humbuckers) ao invés de SSS (3 singles). A razão disso não é bem ter uma stratocaster para tocar "sons mais pesados", em primeiro lugar porque não toco esse tipo de música, segundo que bastaria ter uma SSH e usar o humbucker da ponte, para sons mais pesados é uma solução mais simples e eficaz.

A questão é que toco muita Mpb e jazz e gosto do som mais encorpado de um humbucker no braço então uma stratocaster com dois humbuckers sempre me pareceu uma boa ideia.

A vontade de ter uma aumentou quando tive oportunidade de tocar em uma Fender Big Apple, uma stratocaster americana que apesar de sensacional, deixou de ser fabricada.

Fender Big Apple

Olha, vou dizer uma coisa, a Fender fez um grade trabalho com esse projeto da Big Apple. Primeiramente, escolheu cuidadosamente os humbuckers que seriam adequados para uma stratocaster nessa configuração, depois, montou um esquema de chaveamento que permitia conseguir tanto os sons dos humbuckers quanto os timbres dos singles, chegando assim em um instrumento que oferecia sons mais encorpados e timbres tradicionais em uma única strato.

Como isso foi feito ? Os humbuckers escolhidos foram o Seymour Duncan 59 para o braço e o Pearly Gates Plus para a o ponte, esse último resultado de uma parceria entre a Fender e a Duncan, chegando naquilo que deveria ser o humbucker ideal para a ponte de uma stratocaster, até o espaçamento dos pólos era ajustado para essa aplicação. Maiores detalhes sobre esses captadores podem ser encontrados na internet.

Já o chaveamento dos captadores também foi muito bem bolado, usando uma "superswitch", que é uma chave especial com 4 pólos e 5 posições (a chave padrão tem 1 pólo e 5 posições).

Vejam:



Notem que com a chave na posição 4, as bobinas internas (a de baixo do HB do braço e a de cima do HB da ponte) são combinadas em paralelo para obter um som parecido com a stratocaster padrão com a chave na posição 1. Já com a chave na posição 2, o HB do braço é splitado, ficando a bobina de cima para atuar como um single.

Devo dizer que nunca gostei muito do som de humbuckers splitados mas essa guitarra soava extraordinariamente bem, acredito que muitos strateiros tradicionalistas iriam concordar comigo se tocassem em uma...

Big Apple, tentativa #1: montagem em uma Fender American Standard

Muito bem, empolgado por essa ideia, comprei os dois humbumckers (eram tempos de dólar barato...), um escudo HH e instalei na minha Fender American Standard, afinal, uma Big Apple nada mais é do que uma American Standard com um escudo diferente !

Infelizmente não consegui a superswitch na época e o escudo (comprado na GFS) não era padrão, só permitia dois potenciômetros, então projeto ficou meio capenga, pois só conseguia o som de humbuckers. Mesmo assim gostei, porém, logo enjoei daquela configuração e voltei a Fender para a configuração SSS e assim ela está até hoje.

Por sorte, tem um pequeno vídeo que eu gravei dela com o escudo HH na época, infelizmente a qualidade da gravação não é das melhores, sou ruim com essa coisa de gravação mas dá para ter uma ideia de como o timbre da guitarra ficou:



Como vocês podem conferir no vídeo, ficou um timbre bem legal para jazz mas a verdade é que eu não empolguei muito com o resultado e esqueci esse assunto por anos...

Big Apple, tentativa #2: montagem em uma Eagle antiga

Mas... O fato é que eu fiquei com os dois captadores, ou melhor, com o um, porque o SD 59 foi roubado por um Luthier (ou ladrão) que atua na região do triângulo mineiro chamado Gustavo, cuidado com esse cara, roubou uma Yamaha minha e várias peças...

Resolvi então fazer uma segunda tentativa com esse projeto. Comprei um captador Malagoli Classic 59, que é quase um clone do SD 59 e resolvi montar usando uma Eagle antiga, daquelas que ainda possuem o headdstock no formato da Fender, Eu já tinha feito um upgrade em uma (clique aqui para ler) e fiquei impressionado com qualidade do braço da guitarra e o resultado final. Durante um tempo fiquei fuçando o Mercado Livre até achar uma usada (por R$ 250 !) exatamente igual a anterior, só que de cor azul !

Encomendei ainda um escudo HH da Eyguitar, esse sim um escudo de alta qualidade idêntico aos das Big Apples originais.

Com as peças em mãos, apenas blindei a guitarra com tinta condutiva, montei a parte elétrica e regulei. Vejam como ficou linda !

Eagle "Big "Apple" !
Antes de prosseguirmos, vale a pena falar um pouco dessa guitarra, assim como a verde do post citado anteriormente, o braço é extremamente confortável e a guitarra tem um bom acabamento, curiosamente o corpo parece ser em alder, ao contrário da anterior, que era provavelmente basswood, com um peso bem próximo da minha Am Standard. A guitarra soava bem até com os captadores originais, Coloquei nela ainda uma ponte com big block da Eyguitar, baratíssima e de ótima qualidade (essa aqui) e saddles de aço da GFS.


Problemas

Infelizmente aconteceu uma tragédia quando eu montei essa guitarra, embora a Eagle possua o chamado "piscinão", que é a cavidade dos captadores escavada completamente para permitir o uso de qualquer configuração (há quem não goste mas até minha Fender é assim !), as cavidades são recortadas o mínimo possível e a cavidade que acomoda a switch é muit estreita, assim, quando fui encaixar o escudo, acabei forçando um pouco e superswitch acabou quebrando...

Por sorte, eu tinha uma megaswitch Schaller (dessas aqui) e consegui adaptar ela (não sem antes quebrar muito a cabeça !) para funcionar exatamente como a superswitch !

Tem um detalhe muito interessante nesse wiring, os pólos magnéticos das bobinas dos captadores precisam estar com a polaridade alternadas para que haja cancelamento de ruído na posição 4 da superswitch, exatamente como acontece nas strats SSS, vejam bem, isso não é padrão nos captadores, então ou vc monta um dos captadores invertidos (como eu fiz com o HB do braço na foto acima, notem como os pólos com fenda estão na bobina de baixo e não na de cima) ou desmonta o captador e inverte o magneto (não é muito difícil, existem vídeos no y2b ensinando). Acabei depois invertendo o magneto e voltando o captador para a posição correta. Futuramente podemos discutir essa questão de polaridade e wiring dos humbuckers.


Testes


Gostei demais do som splitado dos humbuckers, mas muito mesmo ! Às vezes ligo a guitarra só pelo prazer de escutar o som dela !

Uma lição importantíssima que eu aprendi é que para uma strat HH ter uma dinâmica e timbre que satisfaçam os strateiros da velha guarda como eu, os humbuckers devem estar bem baixos, mais baixos do que seria recomendável, mas foi só assim que eu consegui fazer essa strat HH soar de modo que todas as posições da chavem me agradassem, lembre-se disso, abaixem os captadores !

Porém... Mesmo com os captadores baixos, ainda não estava totalmente satisfeito com o captador do braço funcionando como humbucker, sei lá, sentia uma certa dimensão de graves que me incomodava. 

Resolvi então colocar uma mod que não faz parte do projeto original da Big Apple, um controle de tonalidade duplo que permite filtar também os graves, tinha visto isso há muito tempo no site do Joe Gore e resolvi tentar:


Bingo ! Aí sim consegui o som que queria da guitarra, ficou 100% !!!


Conclusão

Tendo tocado com esse instrumento em vários ensaios, posso garantir que esse projeto resulta em uma stratocaster que não é apenas uma curiosidade, é um instrumento com uma gama enorme de timbres que vai agradar tanto os strateiros tradicionais quanto os que gostam de um som mais pesado. O Pearly Gates Plus é um captador fantástico, infelizmente caro demais e raro de achar mas creio que se pode pesquisar substitutos.

Pensei que se o projeto com a Eagle ficasse legal que compraria uma Big Apple de verdade (usada, pois não são mais fabricadas, existem as Blacktop mas que possuem outra proposta) ou então que instalaria esse escudo em uma outra Fender mas... para quê ?!... Uma Big Apple deve estar custando (usada) uns 7 mil e a Eagle soa tão bem quanto as guitarras caras, é linda e tem um braço que eu gosto, então, seja benvinda a família, Eagle Big Apple !


É isso, ufa, abç a todos !

Mad

* * * Atualização - 03/09/2016 * * * 

Gravei um pedaço do ensaio da minha banda em que toquei com essa Eagle, o som foi gravado direto com um Windows Phone Lumia 640XL mas a qualidade ficou boa, dá para avaliar o timbre da guitarra, foi usado o captador do braço splitado para soar como single:


quarta-feira, 22 de junho de 2016

Análise de estilo: Hank Marvin

Quem foi o herói da guitarra original ?!

Está aí uma pergunta difícil, se formos regredir até a década de 60 podemos pensar em Jimi Hendrix, Eric Clapton, ou, voltando ainda mais, talvez George Harrison, ou talvez alguém ainda mais antigo, da época do rockabilly como Chuck Berry, Buddy Holly ou James Burton e Scott Moore, guitarristas de Elvis...

Mas existiu uma banda inglesa chamada The Shadows, formada no fim dos anos 50 que teve uma enorme importância na história do Rock, pois,  além de ter popularizado o formato do grupo de instrumentos elétricos com baixo, bateria e guitarra, lançou dezenas de singles de enorme sucesso.

O trabalho da banda era interessante pois lançavam basicamente singles instrumentais (embora pudessem cantar muito bem, se necessário) com melodias e arranjos muito bem elaborados.

Mas... O mais impactante do The Shadows era o seu guitarrista solo, o lendário Hank Marvin ! Esse cara foi o primeiro inglês a comprar uma Fender Stratocaster, um instrumento que aos olhos da época mais parecia uma arma alienígena, enlouquecendo uma plateia onde estavam todos os futuros grandes da guitarra inglesa, como Jeff Beck e Tony Iommi !

Não sei dizer que foi o "original guitar hero" mas garanto que se você perguntar isso a um inglês ele vai apontar para Hank!

E o que podemos aprender com Hank Marvin ? Primeiro vamos prestar atenção ao seu timbre clean único, formado por camadas de delay, chegando no inconfundível "som submarino" !

Outra característica interessante é que os solos Hank são muito mais vinculados às melodias cuidadosamente construídas e aos arranjos, embora ele seja um grande improvisador quando quer.

Mas a maior característica de Hank Marvin é o seu domínio da alavanca da Fender Stratocaster, reparem, ele não larga a alavanca quase que em momento nenhum e usa ela em quase todas as notas que toca ! Na minha opinião ele é o melhor do mundo nisso, pela sutileza com que manipula a ponte, criando notas e efeitos tremendamente expressivos !

Aprender as músicas do The Shadows também é uma grande maneira de treinar a interpretação na guitarra !

Vamos ver então um show de 2004 com o The Shadows original e Hank (sim, ele é a cara do Bill Gates !), com a sua eterna Strat Fiesta Red quebrando tudo, menos a alavanca, rs...

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Análise de estilo: Jeff Pevar

Temos muitos caras bons hoje, é tanta gente tocando bem que fica difícil se impressionar com um solo de guitarra... Mas se tem uma coisa que me impressiona e MUITO em um guitarrista é a intensidade e domínio sobre a dinâmica, o controle absoluto sobre a dimensão sonora e a experiência do ouvinte. Um cara que realmente faz isso é o Jeff Beck, por isso sentimos que estamos diante de um guitarrista único quando o vemos tocar !

Mas, felizmente, Jeff Beck não é o único, Jeff Pevar é um guitarrista americano bem sucedido que acompanhou grandes nomes  e músico de estúdio muito requisitado, possui um comando absurdo da sensitividade e da dinâmica, um dom que está acima que qualquer desenvolvimento técnico.

Vamos ver James Pevar em dois vídeos, no primeiro (de 1998) ele toca com a lenda do country rock David Crosby e o maestro James Raymond (que depois de adulto descobriu ser filho de Crosby !), interpretando a maravilhosa "Deja Vu". O solo de James começa aos 6:03 minutos mas o melhor mesmo é escutar a performance completa do grupo e os vocais perfeitos de Crosby e Jeff Pevar. Não tenho nem como comentar o solo que esse cara fez, isso está em outro nível de musicalidade !




No segundo vídeo, bem mais recente, aparentemente gravado em um workshop, ele toca e canta uma versão estrelar de "Little Wing", comparem com a que vocês pensam ser a melhor !




segunda-feira, 6 de junho de 2016

Diferença de madeira na escala: Rosewood vs Maple - Teste Comparativo!

Vamos assistir mais uma comparação entre madeiras, dessa vez usando a mesma telecaster com dois braços diferentes, um inteiriço em maple e outro com escala em rosewood, quem conseguirá acertar o blind test?


sexta-feira, 27 de maio de 2016

I´m going home - Intro with 1962 Fender - Matthias Waßer

Uma verdadeira aula misturando frases do Alvin Lee com outros riffs derivados do rockabilly e da guitarra country, selvagem essa performance de 9 minutos !



sábado, 21 de maio de 2016

Vídeo - Dr John acompanhado por Eric Clapton e Johnny Winter

Dr. John é o exemplo maior do swing de New Orleans, uma verdadeira enciclopédia musical da vibrante mistura de estilos que caracteriza essa cidade, pianista, cantor, compositor e também - poucos sabem - um ótimo guitarrista, nesses dois shows é acompanhado por dois dos maiores guitarristas de Blues de todos os tempos, no primeiro por Eric Clapton, que dispensa apresentações e no segundo pelo gênio texano albino Johnny Winter, essa parece ter sido uma apresentação completamente improvisada. Qual dos dois blueseiros se saiu melhor acompanhando o bruxo de New Orleans ?!