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sexta-feira, 3 de março de 2017

Como medir a resistência de captadores sem ter que desmontar a guitarra !

Olá !

Começa aqui uma série de posts sobre captadores, com dicas e truques para upgrades, vamos dividir em posts pequenos para não ficar cansativo.

Hoje vou mostrar como medir o principal parâmetro de um captador, a chamada "resistência" (em inglês, "resistance DC") das bobinas sem que seja preciso desmontar ou abrir a guitarra. No próximo post eu vou explicar detalhadamente o que é esse parâmetro, qual a sua importância e quais são as suas limitações. Por ora vamos apenas mostrar como efetuar essa medida de forma precisa e fácil



Do que eu vou precisar para medir os captadores ?

Vou precisar de um multímetro digital e de um cabo pequeno, do tipo usado para conectar pedais, como os da figura abaixo.


"Ah, mas eu vou ter que comprar um MULTÍMETRO DIGITAL ??!!" 

Calma ! Um multímetro digital igual a esse custa a fortuna de  cerca de R$ 15,00 no Mercado Livre ! Isso mesmo, quinze reais, eu não escrevi errado ! E vai ser útil para você o resto da vida ! Pelo fato de ser barato não quer dizer que não seja preciso, pelo contrário, é muito preciso. Existem também os multímetros analógicos, para falar a verdade eles são até melhores que os digitais para trabalhar com captadores e também existem modelos baratos, mas, ao contrários dos digitais, os modelos analógicos baratos não são bons, por isso recomendo os digitais.

E o cabo, por que um cabo de pedal ? Porque quando estivermos medindo a resistência dos captadores através do cabo estaremos medindo junto também a resistência do cabo, porém, esse valor é tão pequeno que pode ser desprezado, isso em cabos de qualidade, óbvio, assim queremos o menor cabo possível porque a sua resistência será menor e influenciará menos as medições.

Um multímetro serve para medir diversas grandezas elétricas, como voltagem, corrente e resistência. A unidade de medida da resistência é o ohm, assim quando ouvimos que um captador tem 7k ohms ou apenas 7k, como é mais comum, quer dizer que ele tem 7.000 ohms de resistência.

Não vou ensinar aqui como usar o multímetro, existem bons tutoriais e vídeos ensinando isso, portanto, vamos ver direto como fazer a medição.


Como medir



Faça agora o seguinte:

1) selecione a chave da guitarra para o captador que você quer medir.
2) coloque o botão de volume no máximo (os de tone não influenciam na medida, por causa do capacitor, então tanto faz).
3) coloque o multímetro na escala correta para medir resistência, um captador tem a resistência na ordem de 10k ohms ou 15k ohms então a escala de 20k é uma boa escolha para a medida, se vc escolher uma escala menor, digamos 2k, não vai conseguir medir, caso escolha uma de 200k vai fazer a medida mas será menos precisa do que a de 20k, como regra, estime mais ou menos a ordem de grandeza do que vai medir e selecione a escala mais próxima, sempre para maior.
4)  coloque o cabo no jack da guitarra
5) meça a resistência nas extremidades do cabo (tanto faz inverter a ponta vermelha ou a preta nas terminações do jack pois resistência não tem polaridade)

Como o procedimento acima, fiz as seguintes medições:

Para o captador do braço: 8,28 k ohms


Para o captador da ponte: 12,13 k ohms




Muito bem, poderíamos parar por aí pois esses valores já bem próximos aos valores reais das resistências dos captadores. Ocorre que o que estamos medindo de fato é a resistência do captador em paralelo com o potenciômetro de volume. Felizmente a resistência do potenciômetro de volume é muitíssimo maior do que a resistência do captador e pouco vai influir nas medidas, porém, podemos ainda aplicar uma fórmula de correção. Sabemos que o potenciômetro de volume tem como padrão o valor de 250k ohms para guitarras com captadores singles e 500k ohms para guitarras com humbuckers. Nem sempre é assim mas na maior parte dos casos a verdade é essa.

Ora, a física nos ensina que a resistência equivalente de dois componentes em paralelo (nosso caso) é o produto das resistências dividido pela a sua soma. Assim, a resistência equivalente (que foi o que a medição do aparelho nos mostra) é igual ao produto das resistências do captador e a do potenciômetro dividido pela sua soma. A fórmula então seria: R equivalente = (R captador x R potenciômetro) /  (R captador + R potenciômetro). 

Aplicando um pouco de álgebra, temos a fórmula final para corrigir nossas medidas:

R captador = (R medida x R potenciômetro ) /  (R potenciômetro - R medida)

Na guitarra acima, o potenciômetro de volume tem 500k ohms.

As medidas corrigidas ficaria assim então:

Captador do braço: = (8,28 x 500) / (500 - 8,28) = 8,41 k ohms

Captador da ponte: = (12,13 x 500) / (500 - 12,13) = 12,43 k ohms

Como vocês podem observar os valores medidos são muito próximos daqueles obtidos pela fórmula de correção mas ainda assim existe diferenças.

As outras coisas que poderiam influenciar como a resistência do cabo, da chave, do jack, etc podem ser desprezadas, são muito pequenas.

Aprendemos então a fazer essa medida sem ser preciso desmontar a guitarra !

Tio Mad é  ciência !

Abç a todos !









sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Configurações possíveis de captadores em uma Stratocaster

Muita gente não entende essa coisa de SSS, HSH, etc, segue então uma figura para esclarecer o assunto. Qual é a melhor ? Você decide !


domingo, 25 de setembro de 2016

A madeira do corpo tem influência no som da guitarra ?! (Final)

Olá !

Nessa semana em que nosso Blog completa 4 anos de existência, finalmente apresento a conclusão do artigo sobre a influência das madeiras no timbre.Na primeira parte do artigo (leia aqui), vimos que alguns colocam em dúvida a influência da madeira utilizada na construção do corpo de uma guitarra sólida no timbre final do instrumento. Já na segunda parte, (leia aqui), pedimos até ajuda dos alienígenas para discutir alguns fatores que podem evidenciar a influência da madeira do corpo no timbre do instrumento...

Concluindo o assunto, vou apresentar algumas observações e opiniões pessoais para ajudar aqueles que acreditam nessa influência na hora de adquirir uma guitarra.

Guitarras antigas = Madeiras secas !

Tendo tocado em muitas guitarras, observei que só algumas pouquíssimas realmente têm aquele timbre diferenciado que procuramos. Analisando esses instrumentos, não tenho dúvidas de que as madeiras fazem a total diferença no som final. Toquei em duas stratocasters que realmente me impressionaram bastante, coincidência ou não, as duas eram Fenders americanas fabricadas nos anos 70, uma delas tinha um belo corpo em ash com acabamento natural (idêntica a que o Blackmore tocou no California Jam) e a outra teve o seu corpo grotescamente recortado, quem seria o louco que fez um mutilação dessas. No entanto, o som era incrível.

Além da idade, essas stratocasters tinham outra características em comum: eram bem leves. Já falei aqui no Blog que uma stratocaster equilibrada pesa entre 3,9kg e 3,6kg (o que não quer dizer que as que estão fora dessa faixa sejam necessariamente ruins). Pois bem, as duas guitarras em questão deveriam estar no início da faixa, sendo que a segunda era ainda mais leve pela mutilação do corpo.

Muito bem, qual seria a suposição para a qualidade do som das guitarras ? Primeiramente, madeiras secas. Em segundo lugar, não podemos ignorar também que os captadores originais de alnico se desmagnetizam ao longo do tempo, alterando o seu timbre e soando mais vintages... Estamos falando de guitarras com 30, 40 anos de idade...

Os fabricantes de guitarras de qualidade costumam (ou costumavam...) usar madeiras envelhecidas para montar seus instrumentos, quando não faziam isso, secavam as madeiras em estufa pelo tempo que fosse necessário.

Olhem, é claro que as guitarras baratas fabricadas na ásia não observam esse quesito, os caras pegam a madeira disponível, montam a guitarra e ponto final. Já via até mofo dentro de guitarras assim... Ora, a umidade da madeira vai influir no som do instrumento. E é por isso que eu acredito que o som da guitarra pode melhorar com os anos, na medida em que as madeiras vão perdendo a umidade para o meio ambiente, isso já aconteceu com instrumentos meus.

Densidade da Madeira

Uma outra questão muito interessante é a densidade da madeira do corpo. Pessoalmente, acredito que a densidade da madeira é mais importante do que o tipo da madeira em si. Percebi isso analisando duas coisas: 1) fazendo upgrades em stratocasters de baixo custo com o corpo em basswood, percebi que aquelas que tinham um peso mais próximo das stratocasters feitas com madeiras tradicionais (alder e ash) tinha um resultado muito bom, soavam como stratocasters clássicas, já as que eram muito pesadas ou muito leves não tiveram um bom resultado. 2) as stratocasters feitas com madeiras brasileiras (freijó, cedro, mogno) não soam muito como stratocasters clássicas, possuem o som mais grave, por vezes "abafado", isso não quer dizer que sejam ruins, são só diferentes mas costumam decepcionar alguns compradores, no entanto, as que possuem o corpo feito em marupá já soam mais próximas ao alder, não coincidentemente, o marupá é madeira que tem o peso mais próximo ao do alder...

Algumas Conclusões Práticas

Então vamos usar o que foi aprendido na hora de comprar um instrumento. Vamos supor que preciso comprar uma stratocaster e meu dinheiro só dá para pegar uma chinesinha com o corpo em basswood...

Sabemos que a densidade da madeira é muito importante, então o primeiro cuidado é comprar uma que tenha o corpo com a espessura padrão das Fenders, ou seja, 4,5 cm. Mais uma vez, isso não quer dizer que uma guitarra um pouco mais fina seja necessariamente ruim, mas já que vamos comprar uma, vamos pegar logo uma com a espessura correta !

Depois, vamos escolher uma que tenha um peso dentro da faixa que eu citei acima (3,6/3,9 kg). Bem, vc não vai levar uma balança para loja, mas procure ter uma noção pegando, digamos, uma sacola com 3,5kg de alguma coisa !

Por fim, pense na possibilidade de pegar uma guitarra usada, fabricada nos anos 90 ou anos 2000, o Mercado Livre está cheio delas e são mais baratas ainda mas só faça isso se contar com alguém experiente (seu professor ?) para te ajudar a escolher pois comprar guitarra usada sempre traz riscos....

A pergunta que não quer calar !

E  por fim, vamos responder a pergunta que  nos propusemos no início da serie: "uma strat com o corpo de basswood pode soar como uma boa strat de alder ou ash ?"

Na minha opinião pode SIM, por que não poderia, observadas as conclusões acima ? É claro que terá que ter bons captadores, ferragens, etc.

E que não acredita pode conferir nas centenas de vídeos no youtube que mostram stratocasters feitas em basswood com um timbre maravilhoso de strat, como esse abaixo.

É isso abraços a todos !

Mad


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Como fazer upgrades em Guitarras ! (Comprando uma guitarra Parte VI)

Olá ! Chegamos na última parte do nosso artigo sobre as coisas mais importantes a se considerar quando vamos comprar uma guitarra. Se você não leu as partes anteriores, pode acessá-las pelos links abaixo:

Parte I
Parte II
Parte III
Parte IV
Parte V

Nesse post, vamos analisar a questão dos famigerados "upgrades", que tanto mobilizam os fóruns de guitarra. De longe, esse é o assunto em que mais bobagens são faladas nessas comunidades, então vamos estudá-lo detalhadamente.

O que é fazer um upgrade na guitarra ?


Um "upgrade" seria a princípio trocar una ou mais peças de uma guitarra com o objetivo de melhorá-la em um ou mais aspectos, como o timbre, estabilidade da afinação e conforto de tocar. Nada mais do que isso.

Mas vejam só, nos anos 60 e 70, quase não havia esse conceito de "upgrade". Não se trocavam peças de uma guitarra, a não ser em caso de quebra e nesse caso, provavelmente seria colocada uma peça exatamente igual. Isso quer dizer que todos aqueles sons de guitarras maravilhosos gravados por Jimi Hendrix, Cream, Pink Floyd, Sabbath e outros foram gravados com guitarras "stock", ou seja, instrumentos que eram usados do jeito que saíram das fábricas. Quando muito, mandavam reenrolar os captadores ou mudavam alguma coisa na parte elétrica para conseguir um timbre mais pessoal mas a quase totalidade dessas gravações foram feitas com instrumentos 100% stock ! Quando pensamos nisso, chega a ser uma comédia o caso do moleque que ganha uma Fender Stratocaster USA do pai e antes mesmo de receber a guitarra (ou aprender a tocar...) já planeja trocar os captadores stock por Texas Specials para ter "o som do SRV" ! Mais para o final dos anos 70, a indústria de componentes paralelos, em especial os fabricantes de captadores, começou a ganhar força, explodindo na década de 80 com o seu metal que exigia alto ganho e muita compressão.

Hoje, o desenvolvimento da indústria de componentes paralelos chegou a um tal ponto onde se pode comprar de tudo: braços, corpos, ferragens, captadores, etc. Mas aí temos que fazer uma diferenciação, atenção nesse conceito: uma guitarra de braço parafusado (Stratocaster, Telecaster) é tão boa quanto a soma das suas partes. Já uma guitarra de braço colado (Les Paul, SG) é um todo. Entenderam ? Você pega uma Stratocaster e pode melhorá-la o tanto que quiser, já que possível ir trocando tudo, até que nada mais reste de uma guitarra original. Mas em uma guitarra de braço colado, isso não é possível (ou, pelo menos, não é tão fácil) então a qualidade de construção dessa guitarra é muito mais importante de ser levada em conta ao adquirirmos o instrumento. Entendido ?

Muito bem, agora que já sabemos o que é um "upgrade" de guitarra, precisamos "apenas" saber a resposta das seguintes perguntas:


  • Por que trocar ?
  • Quando trocar ?
  • O que trocar ?
  • E o principal...  QUANTO GASTAR ?!

Lendo o que se escreve sobre upgrades nos fóruns da internet e conversando com Luthiers posso afirmar com grande margem de segurança o seguinte:


"90% dos upgrades planejados nada mais são do que jogar dinheiro fora !"


A causa disso é que esses upgrades são planejados em cima de premissas erradas. Vamos ver alguns desses "brilhantes" raciocínios mais comuns que levam guitarristas iniciantes (e também alguns experientes !) a desperdiçar recursos:
  • "Stratocaster barata + peças de primeira = Fender !"
  • Quero o timbre do guitarrista "X" então tenho que usar os captadores "Y" !
  • "Estou sem grana agora, pego uma guitarrinha barata e vou melhorar ela aos poucos..."
  • "Minha guitarra tem as mesmas madeiras que uma Fender americana então vou investir nela !"
  • "Meu professor me falou que a Epiphone dele com caps Seymour Duncan é melhor que qualquer Gibson !"
E por aí vai ! Quem nunca leu coisas assim em fóruns ?! São idéias que até têm uma certa lógica por trás delas. O problema é que dificilmente se chega a um bom resultado em termos de custo x benefício.

Vamos ver um exemplo prático para facilitar esse entendimento. Vamos supor que eu comprei uma Strat SX SST57, uma ótima guitarra para iniciantes (leia minha review sobre essa linha aqui), mas quero melhorar essa guitarra até que ela fique em um nível de um "instrumento profissional". Ora, essa guitarra, do jeito que ela vem de fábrica atende perfeitamente as necessidades do iniciante, vc pode usá-la para as aulas, estudar em casa, ensaios com sua banda e até em pequenos shows. Em princípio, não tem necessidade de trocar nada. Mas ainda assim, eu quero "investir na guitarra", então levo em um Luthier, explico o que eu quero e ele me sugere trocar os captadores, ponte e tarraxas e me apresenta o seguinte orçamento das peças e serviços:
  • Jogo de captadores Fender Texas Specials: R$ 600
  • Ponte Wilkinson: R$ 200
  • Jogo de taraxas Gotoh: R$ 180
  • Nut de osso: R$ 30
  • Serviço de troca de peças e regulagem: R$ 200
Vejamos então, o orçamento contém preços justos, não está exagerado. Mas só a guitarra custou R$ 500,00. Se eu fizer o upgrade acima, vou gastar R$ 1.210,00, então o custo total desse instrumento seria de R$ 1.710,00. Ora, mas com essa grana eu consigo comprar guitarras de nível profissional como uma Squier Classic Vibe, Yamaha RGX A2 e outras. Fora as possibilidades do mercado de instrumentos usados. Então, embora a guitarra vá melhorar com esses upgrades, NÃO VALE A PENA !

Vamos ver agora um segundo exemplo. Vamos supor agora que eu comprei a mesma guitarra (SX SST57), usei ela durante um ano enquanto estive aprendendo, depois montei uma banda com amigos e comecei a fazer ensaios. Mas, a nosssa banda faz principalmente covers de heavy metal e o som da guitarra não tem "peso" suficiente. Levo a guitarra no Luthier que me recomenda colocar um captador GFS tipo rails, que tem ótima qualidade na ponte. Esse captador custa cerca de R$ 130 e o serviço completo ficará em R$ 210,00. Nesse caso, o upgrade não ficou caro e resolveu meu problema, posso ficar com essa guitarra mais um tempo até resolver trocá-la por uma melhor.

Analisando os dois exemplos acima, fica claro a questão do custo x benefício. Embora não existam regras rígidas para upgrades, recomendo atentar para a seguintes observações:
  • Se possível, compre uma guitarra que não precise de upgrades.
  • Não gaste em upgrades mais do que o valor da guitarra.
  • Quando trocar alguma peça, guarde as antigas, pois caso queira vender a guitarra no futuro é melhor vendê-la original e ficar com as peças do upgrade


Bom, agora que já estamos posicionados no assunto, vamos analisar os principais tipos de upgrades, aqui vou colocar minhas opiniões pessoais, não quer dizer que eu seja o dono da verdade, ok ?

Upgrades de Tarraxas


"Véi, minhas tarraxas não seguram a afinação, dou uma alavancada e tenho que afinar tudo de novo, vou manda botar um jogo de tarraxas com travas pra ficar de boa !"

Não segura a afinação porque vc não sabe colocar as cordas na guitarra !!! É isso mesmo ! Quase todos os casos onde alguém reclama que "as tarraxas não seguram a afinação", a culpa é que o guitarrista não sabem o modo correto de colocar as cordas. Aliás, as chamadas tarraxas "com trava" nada mais fazem do que "anular" o efeito das cordas mal colocadas.

Vamos aprender a maneira correta então ?!



Hoje, mesmo as guitarras mais baratas costumam vir com tarraxas seladas (também conhecidas como tarraxas blindadas). Nesse caso, Não existe necessidade de trocas, as desafinações devem ser causadas por cordas mal colocadas. No entanto, às vezes nos deparamos com instrumentos equipados por tarraxas vintage de péssima qualidade. Apenas nesse caso, talvez valha a pena pensar em troca. De qualquer maneira, sugiro observar o seguinte com relação ao upgrade tarraxas:

  • Evite comprar guitarras equipadas com tarraxas vintage, prefira as seladas.
  • Se tiver que trocar as tarraxas, substitua por outras da mesma família porém de boa qualidade, ou seja, substitua tarraxas vintage por outras também vintage. Mesma coisa para as seladas.

Upgrades de Ponte


Não recomendo fazer o upgrade de ponte. É um serviço que fica muito caro e exige um Luthier competente para conseguir bons resultados. Se a ponte da sua guitarra não é boa (e a maioria que equipa as guitarras baratas realmente não são) é melhor travar a ponte e não usá-la, no futuro vc compra uma guitarra melhor.

Se ainda assim quiser fazê-lo, sugiro observar o seguinte:

  • Não compre guitarras baratas com ponte Floyd Rose (já expliquei o por que aqui).
  • Se substituir uma ponte, substitua por da mesma família. Quer dizer, se for trocar uma ponte vintage, coloque outra também vintage, mesma coisa para as pivotadas e tipo Floyd Rose.
  • Verifique com o Luthier se o serviço pode deixar marcas ou mesmo exigir a repintura di instrumento. Isso é frequente quando vc troca um tipo de ponte por outro, contrariando a minha recomendação anterior. Por exemplo veja o que acontece se substituir uma ponte vintage por uma pivotada Wilkinson VS 100, as marcas dos parafusos originais da vintage ficam visíveis e muitos feias, veja:

Buracos visíveis pela troca de ponte


Upgrades de Captadores


Aqui, temos que estudar um pouco mais. Em geral, as guitarras mais baratas vêm equipadas com captadores do tipo cerâmico. Isso não quer dizer necessariamente que são ruins ou que precisem ser trocados. Infelizmente, existem guitarras que vêm com captadores tão ruins que acaba sendo mesmo necessário substituí-los. Esse problema é mais visível com captadores do tipo single. E a grande maioria das guitarras na faixa abaixo de R$ 400,00 costumam vir equipadas com esse tipo de captador.

E como vamos saber se um single cerâmico é bom ou ruim ? Em princípio pelo som, ruídos, etc. Em todos os casos, se pudermos abrir o escudo da guitarra e  pudermos ver os captadores por trás, a sua construção também é um indicador de qualidade. Veja a foto abaixo:

Tipos mais comuns de singles cerâmicos

A foto acima mostra os 3 tipos de single coils cerâmicos que costumamos encontrar. Da esquerda para a direita, o primeiro mostra um captador cerâmico de baixa qualidade, esse é o pior de todos. Note que ele tem apenas uma barra de imã retangular e os pólos não são vistos por trás. Já o segundo mostra os singles cerâmicos que costumam equipar as Fenders mexicanas e algumas japonesas. Esse é melhor dos três. Note que o os pólos ficam aparentes e existem duas barras de imãs em volta dos pólos. A terceira foto mostra um single que equipa as Strats SX, esse tem uma qualidade intermediária mas não podemos afirmar isso só pela sua construção, pois não vemos com é por dentro.

Então, caso a sua strat venha com esse tipo de cap cerâmico de má qualidade, pode valer a pena trocá-los. Nesse caso, recomendo vc colocar um set em alnico (singles que são feitos com imãs na liga alnico, abreviatura de alumínio - niquel - cobalto, eque equipam as Fender USA e outras strats de melhor qualidade). Existem fabricantes nacionais (Malagoli, Cabrera, Stellfner e outros) e também marcas importadas de ótimo custo / benefício (GFS, Kent Armstrong, Golden Age, Artec e outros). Recomendo vc observar a regra de não gastar mais do que o valor da guitarra nesse upgrade. 

Conselhos adicionais para o upgrade de captadores:
  • Se vc metal e tem uma strat com singles, pode ter um bom resultado com um cap tipo "rails" na ponte;
  • Atenção, os caps cerâmicos costumam ter uma saída (volume) maior do que os em alnico, então cuidado, pois vc pode fazer o upgrade e ter uma decepção;
  • Se sua guitarra tem singles cerâmicos de boa qualidade, só faça o upgrade para um set em alnico se souber bem o que quer e se tiver um amplificador de ótima qualidade, preferencialmente um valvulado;
  • Captadores são peças muito caras então só compre se tiver certeza do que vai receber, ou seja, não compre captadores cujo som vc não conheça.

Upgrades não recomendados !


Sugiro que você não faça jamais os seguintes upgrades, são "micos" terrríveis, hehe !
  • Roller Nut: poucos Luthiers sabem instalar, roletes enferrujam e outros problemas.
  • Trocar trastes: Poucos Luthiers fazem esse trabalho bem feito, se não gosta dos seus trastes melhor vender a guitarra e comprar outra;
  • Pintura: recomendo não mexer na pintura do instrumento, vou fazer um post sobre isso;
  • Circuitos eletrônicos complicados, etc;
  • Escalopar o braço. (ok, não é upgrade mas é mico !)
  • Nenhum tipo de mudança que não seja reversível !


Conclusão


Terminamos então essa série com dicas a serem observadas quando se compra uma guitarra. Aprendemos sobre madeiras, braços e analisamos algumas questões importantes relacionadas com os upgrades. É muita informação ! Mas com isso, encerramos as séries de posts, digamos, mais didáticos. Daqui para a frente, vamos postar coisas mais pontuais e focalizadas em questões mais práticas. No próximo post, vou falar sobre cuidados que se deve observar quando se compra uma guitarra pela internet, até lá e abraços !