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terça-feira, 16 de junho de 2015

Upgrade em uma guitarra Eagle !

Hi newbies !

Se tem uma coisa que é um mistério é o motivo pelo qual alguns malucos gostam de comprar guitarras baratas para tentar melhorá-las com peças novas e caras! Por que será ?! Já especulei se alguma lembrança da infância explicaria tal desatino, como uma possível fixação nos contos de fadas infantis, ondes sapos viram príncipes e criadas viram princesas !!!

Mas a verdade é que essas "transformações" são uma tremenda fonte de diversão e aprendizado, diria até mesmo um vício, afinal, qual é  a graça de comprar uma guitarra que já seja excelente, com tudo funcionando 100%, diz aí bacanudo ?!...

Então, dessa vez, a "vítima" é uma stratocaster Eagle mais antiga, das ainda produzidas com headstock no formato da Fender, hoje em dia não são mais feitas assim, com um pouco de paciência é possível comprar essas strats no Mercado Livre na faixa de preços entre 200 a 300 reais. Dizem que essas guitarras eram feitas no Vietnam, acredito que esse instrumento tenha uns 8 ou 10 anos.

Diz uma lenda que essas strats da Eagle antigas seriam ótimas guitarras. Quem acompanha o blog sabe que eu sou um crítico dessas supervalorização das guitarras velhas, ditas como "dasboas", "dasprimeiras", "dasantigas" e vendidas por cinco vezes o preço que realmente valem... Nunca tinha passado uma dessas Eagles mais antigas pela minha mão, algumas tem o headstock pintado, outras não mas sempre no formato arredondado original da Fender, no entanto, já tinha visto um baixo dessa série e achei bem legal.

Vamos ver então o que tem de verdade e de lenda nessas estória, mythbusters, come here, please !

A guitarra, tal como chegou é  essa aqui:


A guitarra

Num primeiro exame, o que chama atenção nessa guitarra ? A bem da verdade, nada... Para começar, o corpo é verde e o top tem uma espécie de figuração, aparentemente uma folha de alguma madeira figurada mas pode ser também alguma coisa fotográfica ou do gênero, a Fender utilizou isso em alguns instrumentos japoneses. Achei a cor e a figuração de gosto duvidoso, aliás as stratocasters verdes costumam ser de cor sólida mais para o verde claro como os padrões "surf green" e "sea foam greem". Mas é isso.

A guitarra também não impressiona pelas madeiras, sem dúvida é um instrumento de madeira sólida mas o maple do braço é exatamente igual ao das guitarras chinesas atuais baratinhas que encontramos por aí e o corpo feito em 2 pedaços de uma madeira que muito possivelmente é basswood, mas não tenho certeza absoluta. Isso difere do que por vezes vemos nas stratocaster da SX, onde é comum encontrar peças bonitas no braço e no corpo. No entanto, a peça da escala parece ser um rosewood de boa qualidade. Quanto ao acabamento, o braço vem apenas com um acabamento fino, aparentemente encerado e o headstock não tem a curva perfeitamente redonda,  meio tosco isso, pensei até em acertar mas como é um detalhe só estético não vale a pena mexer, melhor deixar assim.

As ferragens são medianas e também os captadores, diria até mesmo inferiores ao padrão que costumamos encontrar nas guitarras atuais, inclusive as da Eagle, que possuem modelos que vêm com captadores da Wilkinson.

Porém, temos que falar dos pontos positivos. Em primeiro lugar, a strato tem o peso correto, uma boa stratocaster deve pesar entre 3,6 kg e 3,9 kg. Se sai dessa faixa, não quer dizer que seja ruim mas começa a incomodar o strateiro mais experiente que gosta do instrumento com o peso esperado e o balanço (relação entre o peso do braço e o do corpo) correto.

Outra coisa positiva é que o corpo tem a espessura correta para uma stratocaster, cerca de 4,5 cm. Isso dá uma sensação de um instrumento sólido quando empunhamos essa Eagle.

Assim que pegamos uma guitarra com cordas velhas e enferrujadas, a primeira tentação é colocar cordas novas, mas, se fizermos isso, corremos sério risco de perder um jogo de cordas, isso porque se a guitarra precisar de intervenções mais sérias o novo jogo de cordas pode ser perdido. Então, assim que peguei na guitarra apenas regulei o tensor e ajustei a altura das cordas, limpando ainda as cordas com fast fret para tirar a ferrugem. Tocando com a guitarra assim por alguns dias, verifiquei que ela não apresentava nenhum trastejamento e a altura da nut tabém estava correta. Isso é muito raro de acontecer, em geral, é necessário um trabalho de nivelamento dos fretes mas nessa daqui esse trabalho talvez já tivesse sido feito.

Outra coisa que chamou a atenção é que a guitarra soava muito bem com as peças originais. Isso é o principal fator de sucesso para um upgrade. Aprendi que quando uma guitarra é boa, soa bem com qualquer captação, se não soa, não tem upgrade que dê jeito...

E mais, gostei muito, mas muito mesmo da pegada do braço dessa Eagle, extremamente confortável e macio...

Planejamento do upgrade

Muito bem, os leitores do blog sabem que eu não sou favorável a gastar mais do que o valor da guitarra em upgrades, quem quiser aprender mais sobre upgrades, leia esse post aqui.

Então, minha proposta de upgrade para uma guitarra de baixo custo como essa seria apenas, colocar dois abaixadores tipo roller, um jogo de captadores single em alnico de baixo custo e uma chave de melhor qualidade. As tarraxas eu vou manter e pretendia apenas travar a ponte. No entanto, tenho uma ponte com big block e um jogo de saddles de aço (da GFS) sobrando aqui em casa. Como a ponte se encaixou perfeitamente na guitarra, resolvi colocá-la também.

Além disso, como sempre faço, blindei a cavidade com tinta condutiva, blindei o escudo com fita adesiva de alumínio (ou cobre) e refiz a fiação. Também costumo fazer um nivelamento de trastes, mas, nesse caso, como vimos antes, não era necessário, então vai apenas um jogo de cordas novas.


Mudança no visual da guitarra

Então, como falei antes, tinha achado um tanto estranho essa guitarra verde com uma espécie de "flamed top" (?)... Mas... Tudo na vida muda... Passados alguns dias, comecei a achar a guitarra bonita, talvez, como ela se provou ser uma strat bem legal tenha conquistado meu respeito, vai saber... Notei também que dependendo da iluminação, a pintura e a figuração dão uns reflexos diferentes, meio azuis, gostei disso !

Pesquisando fotos na internet, encontrei várias fotos legais de guitarras com pintura nesse tom de verde e top figurado com escudo e plásticos pretos, pensei que ficaria legal então levar a guitarra para esse visual, vejam algumas fotos que eu usei como referência:


Irado, não ??!!

Fiz então uma simulação de como a guitarra ficaria, existem alguns sites que permitem você "montar" uma guitarra virtualmente com o visual que desejar, cheguei então a essa proposta visual aqui:



Encomendei então o escudo e os plásticos da cor preta... 

Mas... Na vida, tudo muda... 

Ao longo das semanas passei a gostar cada vez mais dessa guitarra, levei ela em alguns ensaios e ela recebeu muitos elogios, assim, resolvi investir um pouco mais nela e dei repensada no visual, achei que ela poderia ficar bacana com um visual mais para "surf guitar" e resolvi colocar um escudo "mint green" e captadores lipstiscks GFS, que eu também tinha guardado aqui em casa.

O resultado visual ficou demais, pelo menos para a minha opinião, vejam as fotos da guitarra e julguem por vocês mesmo !


Strat Eagle com captação lipstick GFS



Detalhe da ponte com big block instalada


Close do corpo

Que beleza hein ?!

Conclusão

Mas... Qual foi o resultado desse upgrade ?

Bem, algumas semanas se passaram e eu tenho tocado diariamente com a guitarra, o som ficou matador, uma ótima stratocaster com o típico som estalado que eu amo,  a pegada do braço excelente e a adaptação da ponte perfeita !

100% satisfeito, e olha que eu não esperava muito dessa guitarrinha. Para ser sincero, a guitarra ficou melhor do que as duas SX FST62 em que eu fiz upgrades (já postados no blog), isso eu realmente não esperava...

O que podemos concluir ? Que essas strats Eagle antigas (as com head iguais aos da Fender) são excelentes, como falam por aí nos fóruns ? Essas guitarras são vendidas muito barato (abaixo de R$ 300 no ML), não recomendaria a ninguém pagar mais caro por uma delas, até mesmo porque não temos elementos para afirmar que são melhores que as atuais. Mas que a guitarra ficou bacana, ficou !...

É isso, abraços a todos !

Mad



sábado, 10 de janeiro de 2015

Review: Análise da Pedaleira Digitech Element

Olá, um grande 2015 com muita guitarra para todos nós !!!



O que podemos esperar de um pedal que custa cerca de R$ 300,00 ? Bem, em se tratando da Digitech, podemos ser otimistas, afinal, essa fabricante se destaca pela performance das suas pedaleiras "entry level". Diz a lenda que a Digitech usa o mesmo processador em todas as suas pedaleiras, seja nas mais baratas ou nas mais caras.

Vamos conferir se é verdade ?

Primeiro, vamos verificar qual o processador usado na pequena Digitech Element:

http://digitech.com/en/products/digitech-element

Conforme podemos ver nas informações do link, o processador utilizado é um sistema de 24 bits chamado "Audio DNA2™ DSP Processor". As informações dizem que é utilizado um processador destes na pedaleira.

Vamos verificar agora qual é o processador utilizado na pedaleira que é atualmente o top de linha da Digitech, a RP1000:

http://digitech.com/en/products/rp1000

Conforme podemos ver, também aqui é usado o mesmo processador Audio DNA2™ DSP Processor.

Bacana, mas isso quer dizer que a pedaleira mais barata da linha e a mais cara possuem o mesmo som ?!

Bem, sim e não...

Digo isso porque, em tese (em tese...) as duas possuem o mesmo poder de processamento. A consequência lógica dessa afirmação é que a qualidade sonora deveria ser a mesma. Deveria... Isso porque uma pedaleira não é só hardware, é hardware + software, uma vez que os efeitos são gerados por programas, isso é, softwares... Então, nada impede o fabricante de programar esses efeitos para que soem com uma resolução piorada, ou seja, mesmo tendo o mesmo processador, o som da pedaleira mais barata não vai ter a mesma qualidade da que é top de linha.

Alguns fabricantes fazem isso ? Fazem sim...

A Digitech faz ? Bem, diz a lenda que não mas aí só comprando as duas para conferir... Mas, no fundo, isso não importa, temos é que saber se o equipamento é bom ou não !

Mas se a qualidade do som é a mesma, onde estará a diferença entre uma pedaleira mais barata e a top de linha ? Ah, essa é fácil, nos recursos e na construção.

Vamos ver então, em primeiro lugar, a Digitech Element não possui interface USB. Isso limita o uso dela para, por exemplo, fazer gravações e utilizar interfaces de programação em windows. Precisamos disso ? Talvez, mas o fato é que a proposta do pedal é de um pedal barato para tocar junto com o amplificado ao vivo, ensaios, etc. Dá para fazer gravações com ela ? Dá, é só conectar a saída dela no "line in" do computador, como um microfone, mas fica menos versátil do que uma pedaleira com interface USB. Entenderam ?

Construção

Bem, quanto a construção, é um pedalzinho meio feio, preto, quadradão, com um único display numérico, tipo aquele imortalizado na horrível Zoom 505II. Nada animador, existe ainda uma representação gráfica da cadeia de efeitos com um led indicando se o grupo está ativado ou não:



De fato não é um design do mais atrativos, aliás parece ter sido desenhada na Coréia do Norte, rs !...

Mas a construção tem seus pontos positivos, apesar da carcaça ser em plástico, o mesmo parece ser bem resistente e o mais importante, os botões de acionamento pelos pés são chaves de metal, o que favorece a resistência e a durabilidade.

Um outro detalhe de que eu não gostei foi que a unidade não pode funcionar com pilhas, apenas com uma fonte que vem junto com a unidade. Não que seja desejável operar o tempo todo com pilhas, mas, às vezes, em apresentações ao vivo, usar pilhas quebra um galhão, principalmente se a instalação elétrica do lugar deixa a desejar (e na maioria dos casos, deixa !). Mas a Digitech Element não permite isso. Por outro lado, a unidade é compacta suficiente para caber no bag da guitarra, muito bom !

Som da pedaleira !

Mas... E o som ?... 

Bem, vamos começar dizendo que a Digitech Element vem com um banco de 100 patches (sons) pré-programados e ainda com outro banco do usuário que permite a criação de outros 100 patches personalizados. 

Aqui cabe uma observação: muitas pedaleiras vêm com sons pré-programados cujo objetivo é mais impressionar o guitarrista na hora do teste do que realmente fornecer sons "usáveis" no dia a dia, para shows, ensaios, etc. Não é  esse o caso da Digitech Element, todos os sons disponibilizados que eu testei (ok, não analisei todos os 100 mas testei a maior parte !) são completamente usáveis e práticos. Bom !

Fiquei particularmente impressionado com os sons de drive/distorção. Muito bons mesmo, simulações muito bem feitas, seja de um leve overdrive tipo "Tube Screamer" ao metal brutal e pesado. Ouso dizer que tais simulações são capazes de enganar a maior parte daqueles puristas que só acham o analógico ou vintage bom, mas isso já é outra discussão. Os sons cleans eu também gostei bastante.

Recursos

A unidade possui as seguintes simulações de amplificadores:

'01 Mesa Boogie® Dual Rectifier
'57 Fender® Tweed Deluxe
'63 Vox® AC30 Top Boost
'65 Fender® Blackface Twin Reverb®
'68 Marshall® 100 Watt Super Lead (plexi)
'77 Marshall® Master Volume
'83 Marshall® JCM800
'96 Matchless HC30
DigiTech® Bright Clean
DigiTech® Clean Tube
DigiTech® Metal
DigiTech® Solo

Muito bom que o manual indica claramente os modelos simulados, dando nome aos bois, evita o trabalho de ter que ficar adivinhando a qual amplificador corresponde uma simulação chamada "britsh stack", como ocorre em outros equipamentos ". Também existe simulação de caixas acústicas, o que permite que a unidade seja usada sem amplificador, ligada direta na mesa, etc.

Os efeitos de modulação e eco também são bem legais. Gostei bastante das simulações com o phaser, tão boas quanto os pedais analógicos caros que eu tenho. Impressiona mesmo a quantidade de efeitos que essa coisinha emula (os efeitos que exigem pedais só estão disponíveis na Element XP):

Compression:
DigiTech® Compressor
Noise Gate:
DigiTech® Auto Swell Gate
DigiTech® Silencer™ Noise Gate
Distortion:
Acoustic Guitar Simulator
Boss® DS-1 Distortion
DOD® 250 Overdrive/Preamp
DigiTech® Death Metal™
DigiTech® Grunge®
Electro-Harmonix® Big Muff Pi®
Ibanez® TS-9 Tube Screamer™
Chorus:
Boss® CE-2 Chorus
DigiTech® Chorus
DigiTech® Dual Chorus
Flanger:
DigiTech® Flanger
Phaser:
DigiTech® Phaser
Pitch:
DigiTech® Detune
DigiTech® Pitch Shift
Vibrato/Rotary:
DigiTech® Panner
DigiTech® Rotary
DigiTech® Vibrato
Tremolo:
DigiTech® Tremolo
Envelope:
DigiTech® Auto Yah
DigiTech® Envelope Filter
DigiTech® Step Filter
EQ:
3-Band EQ
Delay:
Analog Delay
Digital Delay
Pong Delay
Tape Delay
Reverb:
DigiTech® Hall
DigiTech® Room
Fender® Twin Spring Reverb

Nada mal, não ?! Nesse ponto, o melhor mesmo é assistir um vídeo (não é meu !) com uma demonstração dos sons da pedadeira:





Facilidade de programação

Resta, no entanto, comentar um ponto importantíssimo: facilidade de programação. Como vimos antes, os displays da unidade são muito restritos. Isso dificulta a programação da unidade, mas, uma vez que tenhamos lido o manual com atenção e compreendido os recursos e fundamentos da pedaleira, não é muito difícil programar ou ajustar os patches. A melhor maneira, na minha opinião é procurar um patche com o som próximo daquilo que vc deseja e então, usando os botões de edição da unidade, fazer os ajustes necessários até chegar no som que vc quer. A facilidade de programação vem do conceito de "presets" pré-definidos. Isso quer dizer que, ao invés de ajustar cada efeito em seus parâmetros básicos, você apenas escolhe entre cerca de 9 opções pré-definidas, em gera começam da mais simples até a mais radical. Tudo tem um lado bom e outro ruim. Nesse sistema, você ganha em facilidade de programação mas perde em flexibilidade. Se quiser mais flexibilidade, vai ter que procurar uma pedaleira mais completa.


Outros recursos

A unidade ainda vem com afinador e com uma bateria eletrônica com vários presets de rock, jazz, country, etc, sendo possível o tempo dos mesmos. Merece também ser dito que o manual é bom (em português !). Ponto também para a qualidade da embalagem


Conclusão

Amigos, estamos falando de um pedal que custa entre R$ 250 a R$ 300, com um som miraculoso e uma quantidade enorme de recursos ! É um equipamento com qualidade profissional ? Pode ser usado em shows ? A resposta é SIM ! Com certeza é um equipamento muito adequado para os iniciantes.


Alternativamente também dê uma olhada em...

Existe uma versão chamada Digitech Element XP, cuja diferença é que vem com um pedal de expressão embutido, um pouco mais cara mas em compensação permite que se use os efeitos wah-wah e whammy (esse, uma especialidade da Digitech). 



Sugiro também que quem está pesquisando comprar pedaleira dessa categoria que teste as pedaleiras Vox Stomplab, testei apenas na loja mas gostei MUITO mesmo desse equipamento, são um pouco mais caras e a proposta do equipamento não é exatamente a mesma da Element, mas possuem um visual mais elaborado além da magia do nome da VOX.



Teste as duas e decida qual gostou mais !



É isso, abraços a todos !

Mad

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Atualização do post "10 guitarras com ótimo custo/benefício para iniciantes" !

Pessoal, atualizei um dos posts mais populares do Blog, a lista das guitarras com ótimo custo/benefício  para iniciantes testadas pelo Blog, na verdade foram feitas apenas três mudanças mesmo após um ano e meio do post ter sido escrito, olhem lá e confiram quem entrou e quem saiu e porque ! Abraços a todos !

10 guitarras com ótimo custo/benefício para iniciantes !

domingo, 3 de agosto de 2014

Qual afinador comprar ? Usando o Smartphone como afinador de guitarra !

Olá, futuras lendas da guitarra !

Quando não existiam os afinadores eletrônicos, uma das coisas mais complicadas para um iniciante era afinar o seu instrumento. Felizmente, esses tempos ficaram para trás, nem vale a pena ficar relembrando como se fazia ! Hoje, temos afinadores sendo vendidos em todas faixas de preços, a grande maioria funciona muito bem,dentro da sua proposta. Mas... Qual comprar ?!

Para simplificar nossa análise vamos dividir os afinadores em duas categorias, os afinadores profissionais, que são utilizados para afinar a guitarra no palco e em regulagens do instrumento e os afinadores "de estudo", vamos chamar assim aqueles que são utilizados apenas para afinar o instrumento em casa ou, talvez, em algum ensaio.

Claro que se você já tiver uma pedaleira não precisa se preocupar com afinadores, ela já deve ter um afinador incluso que poderá ser utilizado tanto em casa como em shows.

Muito bem, vamos deixar para falar dos afinadores profissionais em uma outra hora e vamos abordar aqui os afinadores de estudo. Nessa categoria, encontramos os seguintes produtos:

  • Programas de computador para afinar instrumentos;
  • Afinadores tipo "box"
  • Afinadores tipo "clip" que se prendem  ao headstock da guitarra;
  • Afinadores que já vêm embutidos na própria guitarra;
  • Programas de Smartphones.

Afinador Tipo "Box"

Os afinadores eletronicos precisam captar o som da nota para avaliá-lo. Essa captação pode ser feita de 3 maneiras: 1) pelo sinal elétrico, através de um cabo; 2) Pelo som natural da corda vibrando; 3) pela captação da vibração do corpo e do braço do instrumento, que vibram junto com a corda.

Em geral, os afinadores conseguem operar captando o som através de mais de uma das maneiras citadas acima. A razão disso é oferecer um produto que sirva tanto para afinar as guitarras mas também os violões. Assim, um produto que só pudesse funcionar com um cabo elétrico não serviria para afinar violões.

Os afinadores tipo "clip" costumam funcionar captando a vibração do braço, por isso funcionam tanto na guitarra quanto no violão. 

Afinador Tipo "Clip"

Os afinadores tipo "clip" são os mais encontrados na atualidade, são práticos, muito baratos e costumam funcionar bem. O problema com esse tipo de afinador é que  não funciona muito bem quando existe barulho de outros instrumentos, o que dificulta o seu uso no palco, por exemplo, se você estiver em um ensaio e precisar afinar, pode ser que você tenha que pedir aos seus colegas de banda que façam um pouco de silêncio para que você afine a guitarra, isso aí em um show é meio complicado !.. O que não quer dizer que não possam ser usados para esse fim, vejo muitos músicos profissionais usando esse tipo de afinador em shows, apenas acho que não são o ideal para essa finalidade.

O afinador de clip que eu uso e considero o melhor é esse modelo da planet waves:

Afinador Planet Waves 
A vantagem desse modelo é que fica discretamente posicionado atrás do headstock, também capta as notas com maior precisão, por isso mesmo é um pouco mais caro.

Os afinadores tipo "box" funcionam também através de cabo, nesse caso não precisam de silêncio para afinar, o que vai complicar usá-lo em um show é o fato de que não tem como integrá-los na cadeia do sinal guitarra->pedais->amplificador, aliás até tem, precisaria de uma A-B box, mas aí é melhor comprar um pedal afinador logo de uma vez !

Os programas de computador para afinar guitarra também funcionam bem mas aí você precisa de um desktop ou um notebook. Eles funcionam com um cabo ligando a guitarra na placa de som do computador, então você vai precisar de um adaptador de plugues também.  Aqui um link para baixar um destes programas.



Smatphone como afinador de guitarra !


Por fim, se você tiver um smartphone (e quem não tem ?!), seus problemas estão resolvidos, não vai precisar comprar nada ! Estes programinhas  captam diretamente o som das cordas, e funcionam muitíssimo bem, mesmo para guitarras elétricas (claro que precisam de silêncio para afinar).

A bem da verdade, funcionam melhor do que os afinadores tipo "clip".

Por quê ? Porque tiram vantagem do imenso poder dos processadores dos smartphones ! São tão precisos que eu desconfio que seja até possível utilizá-los em regulagens como o ajuste de oitavas, mas confesso que nunca tentei, até mesmo porque tenho afinador de precisão para isso.

Aqui vai um link de um afinador para android que eu uso (Tuner - gStrings Free) que é excelente, para quem tem iPhone existem outras opções tão boas ou melhores do que este:


Tuner - gStrings Free

Para mostrar que esses programas de smartphone funcionam bem, gravei um vídeo afinando uma guitarra simultaneamente com o programa acima e com um afinador profissional Boss TU-15, notem como os dois convergem, apontando, aproximadamente, para a mesma afinação da nota (a guitarra tinha sido pré-afinada anteriormente usando o smartphone):


 Por fim, algumas dicas gerais no uso de afinadores de guitarra:
  • Quando estiver afinando uma corda, silencie todas as outras;
  • Quando estiver afinando, toque com os dedos, nesse caso funcionam melhor do que a palheta;
  • Experimente várias posições no headstock para os afinadores tipo "clip" para descobrir onde funcionam melhor.
É isso, abraços a todos !

* * * Edit 06/08/2014 * * * Pessoal, comprei esse outro afinador aqui para testar, fica atrás do headstock, assim como o da planet waves, não é tão discreto e pequeno como esse mas é muito preciso, gostei:

http://www.stringsandbeyond.com/sns1sonofsng.html

domingo, 1 de dezembro de 2013

Review: Tagima TG530 "Woodstock"

Olá !

Nos últimos posts, apresentamos uma proposta para melhorar as reviews de instrumentos. Neste post, vamos aplicar essa metodologia na review do novo lançamento da Tagima, a stratocaster TG530, denominada "Woodstock".

Esta strat é mais uma guitarra fabricada na China e distribuída pela Tagima. Como a maioria das strats de baixo custo, esta também vem com corpo em basswood e com braço em maple. O diferencial dessa guitarra está na qualidade da pintura do corpo e no acabamento do braço, talvez por isso custe um pouco mais do que as strats chinesas com essas especificações.

Pintura e Acabamento

O corpo vem com uma pintura em PU de excelente qualidade. A guitarra que eu examinei vinha com uma pintura vermelho metálica na cor "candy apple red". Já comentei em post passado que considero esta cor a mais bonita de todas ! A tonalidade do candy apple red dessa guitarra  é muito bonita e não ha encontrei um única falha na pintura. Cheguei também a testar na loja uma da cor azul metálico, igualmente excelente. E o mesmo pode ser dito em relação ao verniz do braço, feito em uma bela tonalidade e muito bem aplicado. Este acabamento combinado com o escudo e plásticos "mint green", também de ótima qualidade, resulta em uma stratocaster realmente linda !

Tagima TG530 Woodstock



Braço e Trastes

O braço tem 22 casas e é feito em maple, porém, não em peça inteiriça, ou seja, a escala é esculpida em uma peça à parte. Não entendo bem o porque dos fabricantes fazerem isso, presumo que é por uma questão de facilitar a linha de produção, um mesmo braço pode ser usado para receber escala clara ou escura, segundo a demanda dos pedidos. Tenho uma certa reserva quanto a isso, preferiria que viesse em peça única mas não tenho elementos para dizer se o timbre pode ser comprovadamente afetado por essa construção.

Detalhe da do braço em maple, com escala em peça separada

A marcação dos dots é preta e os trastes médios. A nut é plástica.

detalhe do braço e dos trastes


Parte Elétrica

Já a parte elétrica traz 3 singles cerâmicos. Curiosamente, a primeira vez que eu vi essa guitarra na loja, tive quase certeza que ela vinha com captadores em alnico quando toquei nela. Realmente a aparência externa dos singles deixa dúvida se são de alnico ou cerâmicos mas mas quando abri essa da review comprovei que são, de fato, singles cerâmicos.

Aparência externas dos captadores

Parte Elétrica: captadores cerâmicos

Porém, achei o timbre dos singles legal, a guitarra entrega um som de strat bem convincente com os captadores originais. 

* * * Editado - um leitor informa (vejam nos comentários) que a guitarra deveria vir com os captadores em alnico, como está descrito no site de algumas lojas e que a Tagima se prontificou a substituir os captadores cerâmicos por um set em alnico. Entrei em contato com a Tagima e vamos confirmar esta informação. Neste caso, a guitarra ganharia muito em atratividade ! * * * 

* * * Edit 04/12/2013 * * * Então, recebi a resposta da Tagima nos seguintes termos: 

"Em 04/12/2013 09:20, Williamar Campos Ambrosio escreveu:
Ola tudo bem?
Peço desculpas pelo erra , mais esse modelo possui captador com imã cerâmico e não alnico. Esse foi uma erro de copiar e colar na hora de fazer a descrição que infelizmente deixamos passar desapercebidos .
Abraço."
Acho lamentável esse tipo de posicionamento  mas já esperava por algo do tipo, afinal, mostra bem como as empresas brasileiras tratam o consumidor. Montar uma fábrica, treinar operários e controlar a qualidade dos produtos é algo um tanto complexo. Já encomendar instrumentos chineses e conferir o que recebeu deveria ser algo bem mais simples, mas, com certeza, mesmo isso deve estar além da capacidade de quem tem dificuldades em copiar e colar.... Alguns sites onde o consumidor é enganado, digo, informado que a guitarra vem com captadores em alnico:

http://www.carneiromusic.com.br/produto/3328-guitarra-tagima-woodstock-series-tg-530-sg
http://www.musicacenter.com.br/ecommerce_site/produto_6624_10826_Guitarra-Tagima-Stratocaster-Woodstock-Series-TG530
http://www.mundomax.com.br/guitarra-woodstock-series-tg530-verde-tagima
http://eurosoundmusical.com.br/index.php/guitarra-tagima-tg-530-woodstock-series-surf-green-1156.html
http://www.elomusical.com.br/2011/4,CORDAS/48,Guitarras/8819,GUITARRA_TAGIMA_WOODSTOCK_-_TG-530_MR_VERMELHO_METALICO_


E fim de papo ! * * * 

A fiação, potenciômetros, switch e capacitor estão ok.


As tarraxas são seladas e aparentam ser de boa qualidade, vêm com o logo da Tagima e também não vejo a menor necessidade de trocá-las. A parte traseira do headstock vem até com serial, hehe !

Headstock - detalhe das tarraxas seladas

Já a ponte vintage possui os carrinhos com qualidade razoável, porém, como acontece nas guitarras nessa faixa de preços, o bloco da ponte não é do tipo "big block" e sim uma peça mais fina e com menor massa. Esse detalhe afeta negativamente o timbre do instrumento.

Close da ponte

Detalhe traseiro da ponte e do bloco

Sempre existe a possibilidade de fazer um upgrade da ponte ou apenas do bloco (o site guitarfetish.com vende blocos de boa qualidade que podem ser adaptados). Pessoalmente, prefiro outra solução. Considero que a ponte vintage de 6 parafusos, mesmo sendo de boa qualidade e corretamente regulada não consegue entregar a mesma performance de uma ponte pivotada. Neste caso, acho mais vantagem travar a ponte com um bloco de madeira cortado especialmente para isto. Pretendo fazer um post em breve sobre o travamento da ponte. Com a ponte travada, minha experiência mostra que não há necessidade mexer no bloco.


Setup e Ajustes

A guitarra veio com as cordas muito altas, foi necessário ajustar o tensor. Com as cordas na altura correta, identifiquei trastejamento apenas em um ponto mas não cheguei a analisar se seria necessário fazer um nivelamento nos trastes, talvez sim. De uma maneira geral, o trabalho de trastes estava aceitável.

Metodologia Objetiva

Muito bem, registradas as minha opiniões sobre a guitarra, vamos aplicar a nossa planilha para estabelecer a pontuação, lembrando que  uma Fender Americana consegue uma nota geral de cerca de 8,9 nessa metologia. As notas da TG530 foram:

CONSTRUÇÃO E TOCABILIDADE 8,33
ACABAMENTO 9,00
MADEIRAS 5,98
PARTE ELÉTRICA 3,95
FERRAGENS 3,55
PLÁSTICOS 10,00

NOTA FINAL 6,20


A planilha com os detalhes da pontuação está no link abaixo:


Notem que planilha traz também algumas medidas da guitarra e a comparação com o padrão Fender.

Conclusão

Achei uma strat bem legal, mais uma boa opção para quem está começando ou mesmo para quem já toca com banda em ensaios e shows. Acho que a Tagima poderia lançar uma versão já com captadores em alnico e com a ponte com um bloco melhor, a qualidade do acabamento do instrumento justifica essa melhoria, lembro que a antiga TG635 brasileira, apesar de ter vários problemas, vinha com uma ponte de ótima qualidade com big block e nut de bronze, esse era o motivo porque muitos elogiavam o som desse modelo.

É isso, uma review bem detalhada, aqui a gente mata a cobra e mostra o pau, pau com cordas, evidentemente...

Abraços a todos !


* * * Edit 03/o2/2014 * * *  Pessoal, apenas para complementar a review, um detalhe que me passou despercebido (imperdoável, porque é evidente !), o escudo da guitarra não segue exatamente o padrão fender no shape e no número de parafusos, notem que tem 9 parafusos, um tanto estranho isso, só conhecia escudos com 11 (os mais comuns) e 8 parafusos, não que isso prejudique em algo o instrumento mas se vc quiser trocar o escudo, possivelmente os que seguem o padrão fender não vão servir, principalmente por causa da diferença de shape. A razão do escudo ser diferente é que o corpo da guitarra não segue exatamente o padrão da Fender, o "chifre" direito do corpo é um pouco mais cavado e estreito, talvez tenha sido feito assim para facilitar o acesso a parte final do braço ou talvez para previnir algum processo da Fender, vai saber... O fato é que se quiser trocar o escudo vai precisar mandar um Luthier fazer um.


domingo, 24 de novembro de 2013

Uma proposta para as reviews de guitarra !

Olá !

Vamos continuando com o assunto review.

No post de ontem vimos alguns problemas que podem comprometer a credibilidade das reviews de instrumentos, dentre eles o interesse comercial e a falta de experiência de quem faz a avaliação.

Na opinião do Blog, a  melhor solução seria criar um método que permita separar o que é fato das impressões, opiniões e preferências de quem avalia, ainda que estas também sejam importantes.

A nossa proposta é criar um critério de pontuação e julgamento que resulte uma NOTA OBJETIVA para o instrumento, conseguida esta nota aí sim podemos considerar as opiniões e impressões subjetivas.

Difícil ? Sim, mas não impossível. Para chegarmos nessa pontuação, vamos utilizar uma técnica chamada "nota percentual acumulada". Este método é utilizado para pontuar julgamentos técnicos em licitações e outras aplicações. Funciona assim: uma guitarra, no exemplo uma Stratocaster, valeria no máximo 100%. Estes 100% nós vamos dividir, digamos 25% para a construção, 10% para o acabamento, 20% para as madeiras, 25% para a parte elétrica 15% para as ferragens e 10% para os plásticos. Depois, vamos pegar cada item destes e subdividir atribuindo novos percentuais, por exemplo, a parte elétrica seria dividida em captadores, chave de seleção, potenciômetros, capacitor, fiação e blindagem. Estabelecemos mais uma vez os percentuais. Por fim, pegamos estes itens e novamente subdividimos, por exemplo os captadores seriam divididos segundo os tipos mais comuns em:

Cerâmicos Genéricos de baixa qualidade
Cerâmicos Genéricos de boa qualidade
Cerâmicos de marca de 1a Linha
Alnico Genéricos
Alnico de Marca de 1a Linha
Ativos
Noiseless
Captador Custo Shop ou "de boutique"

Estabelecidas os percentuais para cada um, bastaria o usuário marcar qual captador a guitarra possui. A nota final é obtida multiplicando os percentuais da "árvore" de divisões e somando.

Parece complicado, não ? Felizmente existem as planilhas Excel que facilitam essa implementação !

Abaixo, uma foto de parte da nossa planilha de avaliação (clique nela para ampliar):


Bacana, não ? Listar os itens a ser avaliados não é difícil, o problema é estabelecer os percentuais... Aí é que está, jamais encontraremos dois guitarristas que concordem com os percentuais que eu estabeleci, normal isso, rsrs !

Mas o caso é o seguinte, podemos discutir e estou aberto a sugestões para alterar os percentuais, caso argumentos mais fortes do que os meus sejam apresentados e quem não concordar de jeito nenhum poderá baixar a planilha e modificá-la como achar melhor, criando seu próprio critério, ok ?

Nessa metodologia, uma Fender American Standard conseguiu uma nota de 8,9 (89%)

A planilha terá ainda outras abas para registrar os dados da review, as opiniões e impressões e as fotos.

Daqui para frente, todas as reviews do blog serão feitas nessa metodologia, que ainda está sendo aperfeiçoada. Por enquanto criei apenas o modelo que serve para avaliar Strats e Teles, depois crio as outras.

No próximo post, a primeira review nessa metologia,  a da guitarra Tagima Woodstock TG-530.

Por enquanto, quem quiser dar uma olhada na planilha dessa review, clique AQUI


sábado, 23 de novembro de 2013

Mas qual é o problema com as reviews de guitarras ?!

Olá, newbies do bem!

O ano está terminando e daqui para a frente, o blog ficará mais focado nas reviews de instrumentos, uma vez que os assuntos básicos já estão bem documentados aqui. Mas vamos iniciar uma discussão sobre os objetivos, qualidades e problemas com as reviews, para que não incorramos nos mesmos erros que temos observado com relação a esse assunto.

Acho que todos sabem o que é uma review, é o registro da opinião de quem comprou um instrumento ou teve a oportunidade de testá-lo, relatando os pontos positivos e negativos, e ainda, talvez, recomendando ou não a sua compra para outros interessados.

Vamos encontrar reviews nas revistas e sites especializados, nos blogs, comunidades e fóruns da internet, e, ainda, as vídeo reviews no YouTube, cada vez mais comuns.

O problema começa quando analisamos a credibilidade dessas reviews.

Quando a review vem de uma revista, site especializado ou mesmo um canal de vídeo com milhares de seguidores, temos que considerar a possibilidade de que exista interesse comercial envolvido. Vejam o caso das revistas, elas perderam muitos leitores por causa da internet, será que possuem independência para apontar pontos negativos sem o receio de perder anunciantes, que já são tão poucos ?

No caso dos fóruns, o problema é outro: não sabemos quem está por trás da review. Quem frequenta diariamente os fóruns e comunidades da internet já conhece os usuários mais antigos e sabe quem tem credibilidade ou não para opinar. Porém, quando se pesquisa uma review pelo google e acha alguma coisa em fóruns, fica a dúvida se  aquela opinião merece ser levada em conta.

Mesmo um guitarrista experiente leva algumas semanas, ou mesmo meses,  para formar uma opinião sólida sobre um instrumento, já que sabe que deve testar a guitarra em diferente situações. No entanto, é uma situação muito comum em fóruns aquela do moleque que compra a sua primeira guitarra e no mesmo dia já posta uma review falando maravilhas do instrumento ! Normal isso, empolgação só faz bem para a alma mas coitado de quem compra uma guitarra igual baseado nessa opinião !

Lembro de um caso de um usuário de um fórum que escrevia muito bem, posts longuíssimos sempre em português impecável e falando sem parar em equipamentos. Pois bem, o tal carinha postou, tretou, causou, recomendou instrumentos, detonou outros, chegou ao ponto criar um tópico para queimar o filme daquele que é considerado um dos maiores Luthiers do Brasil. Até que alguém descobriu que esse carinha era um moleque com 9 anos de idade na época e nem sabia tocar guitarra direito !!! Tudo bem, nada contra a molecada, reconheço o potencial incrível desta geração, eles são o futuro da guitarra mas uma opinião tem que ter um embasamento, coisa que só a experiência traz !

Existem ainda aqueles que eu chamo de "e-Ndorsers", carinhas pagos pelas empresas para se cadastrar nos fóruns ficar falando maravilhas dos equipamentos de um determinado fabricante sem se apresentar como endorsers de fato da empresa! Tem luthieria e handmaker de pedal por aí que são especialistas nisso !...

Tá achando ruim ?!! Isso não é nada, o pior que pode acontecer é você comprar uma guitarra ruim, coisa que até tem o seu lado bom, pois nada nos ensina mais do que uma guitarra péssima, o pior é o que acontece no mercado financeiro, onde milhares de pessoas perdem as economias de uma vida comprando ações de empresas falidas, como Laep, Mundial, Agrenco, OGX e outras por causa das mentiras e potocas que os vigaristas e estelionatários postam nos fóruns de finanças ! Bem vindo ao mundo real !!!

Mas, por outro lado, não podemos ficar esperando que apareçam super especialistas para analisar os instrumentos que nos interessam, isso simplesmente é muito difícil de acontecer. O que precisamos é de um MÉTODO que permita organizar e separar o que é opinião subjetiva do que é fato nas análises de instrumentos. Se conseguirmos isso, até a opinião de um guitarrista inexperiente passa a ter o seu valor e precisamos da opinião de TODOS, já que hoje temos milhares de marcas e modelos no mercado !

Possivelmente amanhã, postarei a continuação do assunto com uma proposta de modelo para as reviews de guitarra que pode resolver este problema !

Até e abraços !





sábado, 12 de outubro de 2013

Extreme Makeover ? Upgrade radical em uma Guitarra de R$ 300,00 !

Hi kids !

Em homenagem ao dia das crianças, Tio MadGuitarMan vai responder à pergunta de 1 milhão de dólares ! Bem, talvez nem tanto, mas decerto vou responder a pergunta de 300 pilas, que, por sinal, também não quer calar:

"Se pegarmos uma guitarra de R$ 300 e trocarmos tudo, mas TUDO mesmo, colocando peças top de linha, até que ponto ela chega próxima a uma guitarra top, digamos, a uma Fender Americana ?!"

Em outras palavras, estaremos avaliando até onde é possível chegar com um corpo de basswood e um braço de maple, desses bem baratinhos, já que o resto vamos trocar !

Agora, se você  já é leitor desse blog, sabe que o pensamos sobre "upgrades", já escrevi esse post aqui onde que falo que 90% dos upgrades que a turminha faz é apenas jogar dinheiro fora e que jamais devemos gastar muito com uma guitarra barata, no final vai ficar mais caro do que comprar uma guitarra de qualidade.

Mas, nesse caso, trata-se de uma "experiência" então vamos esquecer por um momento estes bons conselhos e vamos colocar peças excelentes (e caríssimas !) em uma guitarrinha barata apenas para ver o que acontece !

A escolha da guitarra


Mas então, eis que um dia estava andando pelo centro da minha cidade e passei em frente a uma loja bem pequena, dessas especializadas em vender instrumentos para músicos evangélicos e vi uma strat com um tampo figurado vermelho que me chamou a atenção pela beleza. Era uma strat Groovin, marca costumeiramente associada a instrumentos de qualidade duvidosa. Porém, mais uma vez, se você é um feliz leitor desse Blog, já sabe que esse nicho do mercado muda constantemente, a cada momento os fornecedores chineses mudam e a qualidade dos instrumentos que chegam melhora (ou piora !). Tirei uma foto da guitarra com o meu celular ainda na loja:

Foto da guitarra na tirada ainda na loja

Por que resolvi escolher essa guitarra ? Em primeiro lugar, achei a guitarra LINDA, como vocês vão ver pelas fotos a seguir. O corpo dessa strat é diferente. Ele é reto, não tem o "arm contour" das strats tradicionais e tem ainda um friso contornando tampo do instrumento. Como colocaram uma folha de maple tigrado no tampo, esse corpo ficou muito parecido com o a rara e bela Fender Aerodyne:

Fender Aerodyne

Curiosamente, a guitarra tinha também um "matching headestock" vermelho muito bonito, o que a fez ficar ainda mais parecida com a Aerodyne da foto acima.

Além da estética, os outros pontos positivos que eu achei na guitarra foram que o acabamento translúcido da parte traseira mostrava um corpo de madeira feito de 3 peças e com um peso bem adequado para uma Stratocaster, nem muito leve, nem pesado demais. Outra coisa que eu gostei bastante foi que o braço, bastante bem feito,  tinha um formato "C" shape bem próximo ao da minha Fender American Standard. O instrumento ficou muito bem balanceado e transmitia uma sensação de solidez, coisa não muito frequente em guitarras desse preço.

Infelizmente nem tudo eram flores. A "nut" era extremamente mal feita, não tinha como corrigir, só trocando mesmo e a guitarra estava completamente desregulada e deu para ver que ia ser necessário fazer um nivelamento dos trastes. Só esses dois problemas, caso eu mesmo não tivesse feito, iria gastar uns R$ 200 num Luthier... Outra coisa não muito boa era que o escudo não seguia o padrão exato da Fender, embora a diferença fosse muito pequena, não percebi isso na loja.

As tarraxas eram seladas, achei a qualidade boa. A ponte bem ruinzinha, como costumam ser nessa faixa de preço e os captadores fraquíssimos.

Mas enfim, a guitarra era muito bonita e resolvi pegar assim mesmo !


O upgrade


Bem, não falei que iríamos trocar tudo e colocar tudo do bom e do melhor ? Começamos então com os captadores, coloquei logo um set Seymour Duncan Lipstiscks, um dos melhores sets  que eu conheço para stratocasters, são captadores que entregam um belíssimo timbre característicos de singles coils vintage mas com aquele ressoar típico dos lipsticks. Tenho uma outra strat equipada com lipsticks GFS, também captadores excelentes (e muito mais baratos do que os SD) mas o set SD tem um som mais equilibrado nos graves (os GFSs puxam um pouco para o agudo) e os caps do set são mais equilibrados entre si. Mas recomendo fortemente qualquer um dos dois sets, um timbre maravilhoso, visual arrasador e a capa de metal fornece uma blindagem adicional que, por si só, reduz os ruídos dos singles !

O que mais foi trocado :
  • Toda a parte elétrica, potenciômetros, fiação, capacitor e chave.
  • Os abaixadores "arvore" foram substituídos por outros do tipo "roller".
  • A ponte eu coloquei uma que eu tinha parada aqui da Condor, não é uma ponte top mas é muito boa.
  • A nut defeituosa foi substituída.
  • As tarraxas eu deixei, achei as originais boas.
  • Cordas D"Addario 0.10
Além disso, tive que fazer um trabalho de nivelamento dos trastes, que estavam completamente desnivelados.

A guitarra depois do upgrade !


Assim que recoloquei o escudo com os lipsticks, levei um susto ! A guitarra ficou mais LINDA ainda com eles ! o Tampo reto figurado, o friso e o visual chocante dos lipstciks deram a ela um ar de "Surf Guitar" fantástico, vou colocar logo as fotos, melhor do que ficar falando !

Frente da guitarra, notem o matching headstock !

Detalhe do friso

Corpo de madeira em 3 peças 



Close do corpo


Os testes com a guitarra


Tudo resolvido, peças instaladas, trastes nivelados e guitarra regulada, liguei ela em um amplificador Fender SuperChamp XD e escutei um timbre clean muito bonito, gostei, não esperava que ficasse tão bom ! Fiquei com ela em casa várias semanas, sempre tocando junto com minhas outras strats, a minha impressão nesses testes é que a guitarra realmente entregava um belo som de strat, porém, sem a mesma complexidade e riqueza de timbre das minhas duas strats principais, mesmo assim gostei bastante, era um prazer apenas ligar a guitarra e ficar tocando só para ouvir o som dela !

Após umas semanas tocando em casa, levei ela para um ensaio com a minha banda, que basicamente é um trio composto de bateria, baixo e guitarra que acompanha um saxofonista, nosso repertório é composto de arranjos com múiscas de Jazz, Blues e Soul music. A guitarra fica clean praticamente 100% do tempo. Nesse ensaio, não gostei do resultado. Achei que o som ficou muito agudo, os graves soando fracos e sem presença, uma coisa que não se espera de jeito nenhum com um set de captadores de alta qualidade como esse. Enfim, decepcionante.

Fiquei pensando no que podia ter acontecido, já que a guitarra soava bem no pequeno valvulado Fender com que eu toco em casa. Fiz uma nova regulagem na guitarra, alterando inclusive a altura dos captadores. Lembrei também que o amplificador que eu uso nos ensaios, um Laney TF200, está precisando de uma revisão, de vez em quando o som fica ruim, sem presença nenhuma e esse defeito é intermitente. Talvez o amplificador estivesse dado "tilt" no dia do ensaio...

Passado algumas semanas, fui em um outro ensaio onde tocaríamos um repertório de classic rock. Dessa vez as coisa foram diferentes, o som da guitarra estava excelente, todos na banda elogiaram a beleza do instrumento e seu som ! Participou desse ensaio o cantor e professor de guitarra Inácio Cavalieri, um músico profissional muito experiente e que sabe tudo de guitarra. O Inácio inclusive tocou na Strat Groovin e fez elogios ao seu som.

Eu fiz um pequeno vídeo do Inácio tocando na guitarra, a qualidade do vídeo e audio não é das melhores pois foi filmado com o celular mas dá uma ideia do timbre da guitarrinha !


Conclusão


Confesso que quando planejei fazer esse post tinha certeza que o resultado mostraria que não vale a pena investir em uma guitarra barata. Não foi bem assim. Com certeza mesmo com todos os upgrades a guitarrinha não consegue entregar um som com a riqueza de timbres de uma boa Fender americana com corpo de alder. Porém, a verdade é que mandou um som de strat muito bom, o corpo de basswood não comprometeu aquele timbre estalado de strat que todos gostam, isso foi uma surpresa para mim. Daria para fazer um show profissional com essa guitarra e seus upgrades, ela seguraria o som de uma banda ? Com certeza.

Eu planejei fazer um vídeo comparando a Groovin com a Fender mas  confesso que fiquei com preguiça, depois que já tinha conseguido fazer um vídeo no ensaio que mostrou o som da guitarra. Mas se vocês quiserem, peçam que eu faço !

E o que acontecerá com a guitarrinha ? Bem, não faz sentido deixar um set de caps tão caro quanto esse nela. Vou retirá-los. Aliás, acho que um upgrade com caps de maior saída seria mais recomendado para esse instrumento mas gostei tanto do visual dela com os lipsticks que hesito em mudar, quem sabe encomendo mais uns lipsticks da GFS ?

É isso, espero que tenham gostado do post, abraços a todos !



* * * Atualização 14/02/2014 * * * Bem, a guitarra continua do mesmo jeito, não retirei as peças e tenho usado ela direto em ensaios e shows. Realmente gostei desse instrumento, foi o melhor resultado que eu já obtive com upgrades de guitarras e olha que já fiz muitos ! Os pontos fortes são o braço extremamente confortável e o timbre muito equilibrado, clean lindo, um pouco "dark", como eu gosto. A guitarra desperta muita curiosidade dos outros guitarristas, pela beleza, pelo som e por ser de uma marca de instrumentos baratos, a galera fica intrigada ! Já encomendei uma ponte melhor para ela. Gostaria muito de conseguir outra igual mas já procurei e  não acho, a loja onde eu comprei fechou, se alguém souber onde tem outra Groovin   (mas tem que ser igualzinha, com headstock vermelho !) igual a essa, me avisem, plz !