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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Stratocaster HH, a saga !

Olá !

Muito bem, vamos trabalhar um pouquinho ?!

Sei que estou devendo a conclusão do artigo sobre a influência das madeiras no timbre mas finalizei há poucos dias um upgrade que ajudou a firmar algumas opiniões sobre o tema, portanto, vou postar sobre esse upgrade antes de finalizar o artigo sobre madeiras, ok ?

Então, sempre tive muita curiosidade e vontade de ter uma stratocaster com a configuração HH (dois humbuckers) ao invés de SSS (3 singles). A razão disso não é bem ter uma stratocaster para tocar "sons mais pesados", em primeiro lugar porque não toco esse tipo de música, segundo que bastaria ter uma SSH e usar o humbucker da ponte, para sons mais pesados é uma solução mais simples e eficaz.

A questão é que toco muita Mpb e jazz e gosto do som mais encorpado de um humbucker no braço então uma stratocaster com dois humbuckers sempre me pareceu uma boa ideia.

A vontade de ter uma aumentou quando tive oportunidade de tocar em uma Fender Big Apple, uma stratocaster americana que apesar de sensacional, deixou de ser fabricada.

Fender Big Apple

Olha, vou dizer uma coisa, a Fender fez um grade trabalho com esse projeto da Big Apple. Primeiramente, escolheu cuidadosamente os humbuckers que seriam adequados para uma stratocaster nessa configuração, depois, montou um esquema de chaveamento que permitia conseguir tanto os sons dos humbuckers quanto os timbres dos singles, chegando assim em um instrumento que oferecia sons mais encorpados e timbres tradicionais em uma única strato.

Como isso foi feito ? Os humbuckers escolhidos foram o Seymour Duncan 59 para o braço e o Pearly Gates Plus para a o ponte, esse último resultado de uma parceria entre a Fender e a Duncan, chegando naquilo que deveria ser o humbucker ideal para a ponte de uma stratocaster, até o espaçamento dos pólos era ajustado para essa aplicação. Maiores detalhes sobre esses captadores podem ser encontrados na internet.

Já o chaveamento dos captadores também foi muito bem bolado, usando uma "superswitch", que é uma chave especial com 4 pólos e 5 posições (a chave padrão tem 1 pólo e 5 posições).

Vejam:



Notem que com a chave na posição 4, as bobinas internas (a de baixo do HB do braço e a de cima do HB da ponte) são combinadas em paralelo para obter um som parecido com a stratocaster padrão com a chave na posição 1. Já com a chave na posição 2, o HB do braço é splitado, ficando a bobina de cima para atuar como um single.

Devo dizer que nunca gostei muito do som de humbuckers splitados mas essa guitarra soava extraordinariamente bem, acredito que muitos strateiros tradicionalistas iriam concordar comigo se tocassem em uma...

Big Apple, tentativa #1: montagem em uma Fender American Standard

Muito bem, empolgado por essa ideia, comprei os dois humbumckers (eram tempos de dólar barato...), um escudo HH e instalei na minha Fender American Standard, afinal, uma Big Apple nada mais é do que uma American Standard com um escudo diferente !

Infelizmente não consegui a superswitch na época e o escudo (comprado na GFS) não era padrão, só permitia dois potenciômetros, então projeto ficou meio capenga, pois só conseguia o som de humbuckers. Mesmo assim gostei, porém, logo enjoei daquela configuração e voltei a Fender para a configuração SSS e assim ela está até hoje.

Por sorte, tem um pequeno vídeo que eu gravei dela com o escudo HH na época, infelizmente a qualidade da gravação não é das melhores, sou ruim com essa coisa de gravação mas dá para ter uma ideia de como o timbre da guitarra ficou:



Como vocês podem conferir no vídeo, ficou um timbre bem legal para jazz mas a verdade é que eu não empolguei muito com o resultado e esqueci esse assunto por anos...

Big Apple, tentativa #2: montagem em uma Eagle antiga

Mas... O fato é que eu fiquei com os dois captadores, ou melhor, com o um, porque o SD 59 foi roubado por um Luthier (ou ladrão) que atua na região do triângulo mineiro chamado Gustavo, cuidado com esse cara, roubou uma Yamaha minha e várias peças...

Resolvi então fazer uma segunda tentativa com esse projeto. Comprei um captador Malagoli Classic 59, que é quase um clone do SD 59 e resolvi montar usando uma Eagle antiga, daquelas que ainda possuem o headdstock no formato da Fender, Eu já tinha feito um upgrade em uma (clique aqui para ler) e fiquei impressionado com qualidade do braço da guitarra e o resultado final. Durante um tempo fiquei fuçando o Mercado Livre até achar uma usada (por R$ 250 !) exatamente igual a anterior, só que de cor azul !

Encomendei ainda um escudo HH da Eyguitar, esse sim um escudo de alta qualidade idêntico aos das Big Apples originais.

Com as peças em mãos, apenas blindei a guitarra com tinta condutiva, montei a parte elétrica e regulei. Vejam como ficou linda !

Eagle "Big "Apple" !
Antes de prosseguirmos, vale a pena falar um pouco dessa guitarra, assim como a verde do post citado anteriormente, o braço é extremamente confortável e a guitarra tem um bom acabamento, curiosamente o corpo parece ser em alder, ao contrário da anterior, que era provavelmente basswood, com um peso bem próximo da minha Am Standard. A guitarra soava bem até com os captadores originais, Coloquei nela ainda uma ponte com big block da Eyguitar, baratíssima e de ótima qualidade (essa aqui) e saddles de aço da GFS.


Problemas

Infelizmente aconteceu uma tragédia quando eu montei essa guitarra, embora a Eagle possua o chamado "piscinão", que é a cavidade dos captadores escavada completamente para permitir o uso de qualquer configuração (há quem não goste mas até minha Fender é assim !), as cavidades são recortadas o mínimo possível e a cavidade que acomoda a switch é muit estreita, assim, quando fui encaixar o escudo, acabei forçando um pouco e superswitch acabou quebrando...

Por sorte, eu tinha uma megaswitch Schaller (dessas aqui) e consegui adaptar ela (não sem antes quebrar muito a cabeça !) para funcionar exatamente como a superswitch !

Tem um detalhe muito interessante nesse wiring, os pólos magnéticos das bobinas dos captadores precisam estar com a polaridade alternadas para que haja cancelamento de ruído na posição 4 da superswitch, exatamente como acontece nas strats SSS, vejam bem, isso não é padrão nos captadores, então ou vc monta um dos captadores invertidos (como eu fiz com o HB do braço na foto acima, notem como os pólos com fenda estão na bobina de baixo e não na de cima) ou desmonta o captador e inverte o magneto (não é muito difícil, existem vídeos no y2b ensinando). Acabei depois invertendo o magneto e voltando o captador para a posição correta. Futuramente podemos discutir essa questão de polaridade e wiring dos humbuckers.


Testes


Gostei demais do som splitado dos humbuckers, mas muito mesmo ! Às vezes ligo a guitarra só pelo prazer de escutar o som dela !

Uma lição importantíssima que eu aprendi é que para uma strat HH ter uma dinâmica e timbre que satisfaçam os strateiros da velha guarda como eu, os humbuckers devem estar bem baixos, mais baixos do que seria recomendável, mas foi só assim que eu consegui fazer essa strat HH soar de modo que todas as posições da chavem me agradassem, lembre-se disso, abaixem os captadores !

Porém... Mesmo com os captadores baixos, ainda não estava totalmente satisfeito com o captador do braço funcionando como humbucker, sei lá, sentia uma certa dimensão de graves que me incomodava. 

Resolvi então colocar uma mod que não faz parte do projeto original da Big Apple, um controle de tonalidade duplo que permite filtar também os graves, tinha visto isso há muito tempo no site do Joe Gore e resolvi tentar:


Bingo ! Aí sim consegui o som que queria da guitarra, ficou 100% !!!


Conclusão

Tendo tocado com esse instrumento em vários ensaios, posso garantir que esse projeto resulta em uma stratocaster que não é apenas uma curiosidade, é um instrumento com uma gama enorme de timbres que vai agradar tanto os strateiros tradicionais quanto os que gostam de um som mais pesado. O Pearly Gates Plus é um captador fantástico, infelizmente caro demais e raro de achar mas creio que se pode pesquisar substitutos.

Pensei que se o projeto com a Eagle ficasse legal que compraria uma Big Apple de verdade (usada, pois não são mais fabricadas, existem as Blacktop mas que possuem outra proposta) ou então que instalaria esse escudo em uma outra Fender mas... para quê ?!... Uma Big Apple deve estar custando (usada) uns 7 mil e a Eagle soa tão bem quanto as guitarras caras, é linda e tem um braço que eu gosto, então, seja benvinda a família, Eagle Big Apple !


É isso, ufa, abç a todos !

Mad

* * * Atualização - 03/09/2016 * * * 

Gravei um pedaço do ensaio da minha banda em que toquei com essa Eagle, o som foi gravado direto com um Windows Phone Lumia 640XL mas a qualidade ficou boa, dá para avaliar o timbre da guitarra, foi usado o captador do braço splitado para soar como single:


terça-feira, 16 de junho de 2015

Upgrade em uma guitarra Eagle !

Hi newbies !

Se tem uma coisa que é um mistério é o motivo pelo qual alguns malucos gostam de comprar guitarras baratas para tentar melhorá-las com peças novas e caras! Por que será ?! Já especulei se alguma lembrança da infância explicaria tal desatino, como uma possível fixação nos contos de fadas infantis, ondes sapos viram príncipes e criadas viram princesas !!!

Mas a verdade é que essas "transformações" são uma tremenda fonte de diversão e aprendizado, diria até mesmo um vício, afinal, qual é  a graça de comprar uma guitarra que já seja excelente, com tudo funcionando 100%, diz aí bacanudo ?!...

Então, dessa vez, a "vítima" é uma stratocaster Eagle mais antiga, das ainda produzidas com headstock no formato da Fender, hoje em dia não são mais feitas assim, com um pouco de paciência é possível comprar essas strats no Mercado Livre na faixa de preços entre 200 a 300 reais. Dizem que essas guitarras eram feitas no Vietnam, acredito que esse instrumento tenha uns 8 ou 10 anos.

Diz uma lenda que essas strats da Eagle antigas seriam ótimas guitarras. Quem acompanha o blog sabe que eu sou um crítico dessas supervalorização das guitarras velhas, ditas como "dasboas", "dasprimeiras", "dasantigas" e vendidas por cinco vezes o preço que realmente valem... Nunca tinha passado uma dessas Eagles mais antigas pela minha mão, algumas tem o headstock pintado, outras não mas sempre no formato arredondado original da Fender, no entanto, já tinha visto um baixo dessa série e achei bem legal.

Vamos ver então o que tem de verdade e de lenda nessas estória, mythbusters, come here, please !

A guitarra, tal como chegou é  essa aqui:


A guitarra

Num primeiro exame, o que chama atenção nessa guitarra ? A bem da verdade, nada... Para começar, o corpo é verde e o top tem uma espécie de figuração, aparentemente uma folha de alguma madeira figurada mas pode ser também alguma coisa fotográfica ou do gênero, a Fender utilizou isso em alguns instrumentos japoneses. Achei a cor e a figuração de gosto duvidoso, aliás as stratocasters verdes costumam ser de cor sólida mais para o verde claro como os padrões "surf green" e "sea foam greem". Mas é isso.

A guitarra também não impressiona pelas madeiras, sem dúvida é um instrumento de madeira sólida mas o maple do braço é exatamente igual ao das guitarras chinesas atuais baratinhas que encontramos por aí e o corpo feito em 2 pedaços de uma madeira que muito possivelmente é basswood, mas não tenho certeza absoluta. Isso difere do que por vezes vemos nas stratocaster da SX, onde é comum encontrar peças bonitas no braço e no corpo. No entanto, a peça da escala parece ser um rosewood de boa qualidade. Quanto ao acabamento, o braço vem apenas com um acabamento fino, aparentemente encerado e o headstock não tem a curva perfeitamente redonda,  meio tosco isso, pensei até em acertar mas como é um detalhe só estético não vale a pena mexer, melhor deixar assim.

As ferragens são medianas e também os captadores, diria até mesmo inferiores ao padrão que costumamos encontrar nas guitarras atuais, inclusive as da Eagle, que possuem modelos que vêm com captadores da Wilkinson.

Porém, temos que falar dos pontos positivos. Em primeiro lugar, a strato tem o peso correto, uma boa stratocaster deve pesar entre 3,6 kg e 3,9 kg. Se sai dessa faixa, não quer dizer que seja ruim mas começa a incomodar o strateiro mais experiente que gosta do instrumento com o peso esperado e o balanço (relação entre o peso do braço e o do corpo) correto.

Outra coisa positiva é que o corpo tem a espessura correta para uma stratocaster, cerca de 4,5 cm. Isso dá uma sensação de um instrumento sólido quando empunhamos essa Eagle.

Assim que pegamos uma guitarra com cordas velhas e enferrujadas, a primeira tentação é colocar cordas novas, mas, se fizermos isso, corremos sério risco de perder um jogo de cordas, isso porque se a guitarra precisar de intervenções mais sérias o novo jogo de cordas pode ser perdido. Então, assim que peguei na guitarra apenas regulei o tensor e ajustei a altura das cordas, limpando ainda as cordas com fast fret para tirar a ferrugem. Tocando com a guitarra assim por alguns dias, verifiquei que ela não apresentava nenhum trastejamento e a altura da nut tabém estava correta. Isso é muito raro de acontecer, em geral, é necessário um trabalho de nivelamento dos fretes mas nessa daqui esse trabalho talvez já tivesse sido feito.

Outra coisa que chamou a atenção é que a guitarra soava muito bem com as peças originais. Isso é o principal fator de sucesso para um upgrade. Aprendi que quando uma guitarra é boa, soa bem com qualquer captação, se não soa, não tem upgrade que dê jeito...

E mais, gostei muito, mas muito mesmo da pegada do braço dessa Eagle, extremamente confortável e macio...

Planejamento do upgrade

Muito bem, os leitores do blog sabem que eu não sou favorável a gastar mais do que o valor da guitarra em upgrades, quem quiser aprender mais sobre upgrades, leia esse post aqui.

Então, minha proposta de upgrade para uma guitarra de baixo custo como essa seria apenas, colocar dois abaixadores tipo roller, um jogo de captadores single em alnico de baixo custo e uma chave de melhor qualidade. As tarraxas eu vou manter e pretendia apenas travar a ponte. No entanto, tenho uma ponte com big block e um jogo de saddles de aço (da GFS) sobrando aqui em casa. Como a ponte se encaixou perfeitamente na guitarra, resolvi colocá-la também.

Além disso, como sempre faço, blindei a cavidade com tinta condutiva, blindei o escudo com fita adesiva de alumínio (ou cobre) e refiz a fiação. Também costumo fazer um nivelamento de trastes, mas, nesse caso, como vimos antes, não era necessário, então vai apenas um jogo de cordas novas.


Mudança no visual da guitarra

Então, como falei antes, tinha achado um tanto estranho essa guitarra verde com uma espécie de "flamed top" (?)... Mas... Tudo na vida muda... Passados alguns dias, comecei a achar a guitarra bonita, talvez, como ela se provou ser uma strat bem legal tenha conquistado meu respeito, vai saber... Notei também que dependendo da iluminação, a pintura e a figuração dão uns reflexos diferentes, meio azuis, gostei disso !

Pesquisando fotos na internet, encontrei várias fotos legais de guitarras com pintura nesse tom de verde e top figurado com escudo e plásticos pretos, pensei que ficaria legal então levar a guitarra para esse visual, vejam algumas fotos que eu usei como referência:


Irado, não ??!!

Fiz então uma simulação de como a guitarra ficaria, existem alguns sites que permitem você "montar" uma guitarra virtualmente com o visual que desejar, cheguei então a essa proposta visual aqui:



Encomendei então o escudo e os plásticos da cor preta... 

Mas... Na vida, tudo muda... 

Ao longo das semanas passei a gostar cada vez mais dessa guitarra, levei ela em alguns ensaios e ela recebeu muitos elogios, assim, resolvi investir um pouco mais nela e dei repensada no visual, achei que ela poderia ficar bacana com um visual mais para "surf guitar" e resolvi colocar um escudo "mint green" e captadores lipstiscks GFS, que eu também tinha guardado aqui em casa.

O resultado visual ficou demais, pelo menos para a minha opinião, vejam as fotos da guitarra e julguem por vocês mesmo !


Strat Eagle com captação lipstick GFS



Detalhe da ponte com big block instalada


Close do corpo

Que beleza hein ?!

Conclusão

Mas... Qual foi o resultado desse upgrade ?

Bem, algumas semanas se passaram e eu tenho tocado diariamente com a guitarra, o som ficou matador, uma ótima stratocaster com o típico som estalado que eu amo,  a pegada do braço excelente e a adaptação da ponte perfeita !

100% satisfeito, e olha que eu não esperava muito dessa guitarrinha. Para ser sincero, a guitarra ficou melhor do que as duas SX FST62 em que eu fiz upgrades (já postados no blog), isso eu realmente não esperava...

O que podemos concluir ? Que essas strats Eagle antigas (as com head iguais aos da Fender) são excelentes, como falam por aí nos fóruns ? Essas guitarras são vendidas muito barato (abaixo de R$ 300 no ML), não recomendaria a ninguém pagar mais caro por uma delas, até mesmo porque não temos elementos para afirmar que são melhores que as atuais. Mas que a guitarra ficou bacana, ficou !...

É isso, abraços a todos !

Mad