quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Algumas medidas de uma Fender Americana (American Standard)

Olá ! Me perguntaram sobre quais são as medidas de uma Fender americana. Bem, existem várias "Fenders americanas" !.. Sabendo o modelo, não é difícil encontrar as medidas na internet, o difícil às vezes é entender a que se refere a medida. Vou colocar algumas fotos com medidas tiradas de uma Fender American Standard, já que esse modelo é o mais conhecido das Fenders fabricadas nos EUA. Essa das fotos é de 1995, completamente original. Notem que eu estou usando um paquímetro barato de plástico (tenho um digital, mas foi "emprestado e não devolvido", rs). Mas para essa aplicação o de plástico serve, já que é somente para uma referência. É uma coisa barata e bem útil, recomendo comprar um. Então vamos lá (clique na foto para ampliar):

Volta do Headstock

Nut

Entre as cordas

Largura do braço no Neck Pocket

Espessura do braço no fim da escala

Espessura do corpo no "chifre"

Espessura do corpo no final

Ponte: corda a corda

Ponte: carrinho a carrinho

Ponte: pivô a pivô (externo)

Ponte (largura da chapa)


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Escolhendo uma Guitarra - Madeiras ! (Comprando uma guitarra Parte IV)

Olá ! Se você não acompanhou as partes anteriores desse artigo, os links estão logo aqui:

Parte I
Parte II
Parte III

Também recomendo que você dê uma olhada no nosso Tutorial sobre partes de uma guitarra elétrica, caso tenha alguma dúvida sobre o assunto.

Na última parte, falamos sobre que seria mais importante na escolha de qual guitarra comprar. Isso, partindo do princípio que você já escolheu o modelo. Se ainda tiver em dúvida sobre qual modelo comprar, dê uma estudada no nosso Tutorial: escolhendo meu modelo de guitarra.

Mas você já sabe então qual modelo quer. Nas partes anteriores dos artigos, vimos por que um iniciante não deveria comprar uma guitarra cara ou profissional mas sim uma boa guitarra para a fase de aprendizado, ensaios e pequenos shows. Vimos também uma divisão de "categorias" de guitarras e suas faixas de preço, então nesse ponto, você já sabe mais ou menos o que espera gastar.

Mesmo assim, quando entrar em uma loja (ou escolher pela internet), provavelmente você terá umas quatro ou cinco opções diferentes dentro da faixa de preço que escolheu. Nesse caso, muitas variáveis podem influenciar na escolha, ficaria bem complicado esgotar o assunto, então, listo três coisas que seriam mais importantes:

  • Corpo feito com madeira de verdade e não com compensado e aglomerados.
  • Braço extremamente bem feito e confortável
  • Uma guitarra que não precise de upgrades (troca de peças), pelo menos em um primeiro momento

Vamos então analisar esses pontos nesse e nos próximos posts,, começando pela questão da madeira:

Madeira do corpo: já discutimos os conceitos básicos de madeiramento de guitarras no Tutorial sobre partes de uma guitarra elétrica. Mas em um instrumento para iniciantes, mais barato, não temos como ser muito exigentes quanto a qualidade da madeira. O mais importante é comprar uma guitarra com o corpo realmente feito de madeira "sólida", pois existem instrumentos feitos de compensado e aglomerado. Existem MUITA desinformação sobre essa questão, então vamos saber o que são esses materiais:
  • Compensado: são lâminas finas de madeira coladas, gerando o um material com a aparência de um biscoito "waffle". Em geral, é utilizada madeira de baixa qualidade. Existe muita confusão porque quando um corpo de guitarra é usinado, a ferramenta (tupia) que escava as cavidades o faz em "camadas" e deixa marcas. Aí a garotada compra a guitarra, tira o escudo e raspa a tinta embaixo para ver se comprou gato por lebre, encontra as marcas da ferramenta e pensa que é compensado, e aí já vai para os fóruns difamar o fabricante "buaaáá´, comprei  a marca "X" e descobri que é de compensado !". Hehe, não deixa de ser engraçado, aliás, os iniciantes se preocupam muito mais com madeiras do que os guitarristas profissionais ! Outro mito é que a guitarra de compensado é "leve demais" ou "pesada demais"... Na verdade, não dá para dizer pelo peso se a guitarra é ou não de compensado, já que isso depende de qual madeira foi usada nas lâminas, umidade, etc. E se querem saber, também não dá para dizer pelo som, se a guitarra é de compensado ou não ! Pode ser que algum louco como o Eric Johnson consiga, mas nós mortais não ! E eu já vi guitarras de compensado com o som bem legal !.. Mesmo assim, vamos evitá-las, certo ? Como ? Pesquisando a descrição do produto no lojista ou fabricante, muito provavelmente vamos encontrar a descrição como "laminated", "laminated alder", "laminated mahogany", etc. (obs: o guitarrista Quito, grande conhecedor de strats, me informa que a palavra "plywood" é sinônimo de compensado !). Visualmente, se a guitarra estiver pintada de cor sólida não tem como saber. Se o acabamento for transparente (tipo "sunburst"), só poderíamos saber se olhássemos o "lado" do corpo e não o topo. Mas os fabricantes não são bobos, se usam compensado a guitarra fatalmente será pintada de cor sólida... De qualquer maneira, como expliquei no tutorial, hoje, é mais raro encontrar guitarras com o corpo de compensado, já que quase toda a produção mundial de madeira é comprada pela China, madeira ali, não falta, rs !...
Compensado


Corpo de Strat feito de compensado
  • Aglomerado (Composite, MDF): aqui, o caso é bem pior do que o do compensado. É um material totalmente inadequado para construção de guitarras. Trata-se de sobras de madeira, serragem, pó e madeira triturada que é misturado com cola e resina e depois, prensado entre duas chapas finas de madeira formando uma espécie de "sanduíche". Muito usado em móveis de baixa qualidade. Além da prejudicar a propagação das ondas sonoras e a ressonância, esse material ainda faz com que os parafusos fiquem" bambos", perdendo a rosca. O material é pesadíssimo (há uns anos atrás, a porta de um armário embutido de MDF se soltou e caiu sobre minha filhinha, quase causando uma tragédia). Felizmente, hoje é mais raro encontrar guitarras feito de MDF mas, se encontrar alguma, fuja, vejam que nojo !
MDF


A quem interessa, segue um vídeo público mostrando como o MDF é fabricado:



Muito bem, para completar esse post, falta apenas esclarecer o termo "hardwood", que muita confusão causa.

O que significa Hardwood ?


A tradução mais aceitável seria "madeira sólida" ou "madeira dura". Mas qual ? Aí é que está. Quando colocar "hardwood" nas especificações, o fabricante apenas afirma que a guitarra é feita de madeira verdadeira (e não de compensado ou MDF), MAS NÃO SE COMPROMETE A DIZER QUAL MADEIRA É ! Por quê? Porque assim, ele pode mudar as especificações quando bem entender e usar a madeira que consegue comprar mais em conta na hora de fabricar o lote. Assim, comprando uma guitarra de "hardwood" pode vir qualquer madeira, desde madeiras "boas", como alder ou ash, até madeiras que não são apropriadas para guitarras, mas, pelo menos, sabemos que não é compensado nem MDF. Em geral, apenas guitarras de baixo custo (abaixo de R$ 300,00) vêm com essas especificações.

Conclusões

  • É importante escolher uma guitarra com corpo feito de madeira de verdade, preferencialmente madeiras adequadas para a construção de guitarras como alder, ash, mogno, basswood, nato, agathis, etc (para saber mais, veja o nosso Tutorial). Uma das boas maneiras de se certificar é comprar uma guitarra de acabamento translúcido ou semitransparente (como o sunburst), pois aí, você conseguirá enxergar a madeira. Não se preocupe se o corpo for feito de mais de um pedaço de madeira colado, até as Fenders americanas são feitas assim, desde que a colagem não fique esteticamente feia, está ok, não prejudicará o som da guitarra.
  • Não compre guitarras de compensado ou MDF, atenção para as palavras "laminated", "plywood", "composite" nas especificações.

No próximo post, vamos analisar a questão do braço da guitarra, até lá e abraços !

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Raio X ! Review SX SST62 / Shelter - A história completa !

Amigos, vou fazer uma interrupção temporária nos posts, digamos, "didáticos" para publicar uma review atendendo a um pedido que, espero, sirva para esclarecer uma série de informações incorretas e outras bobagens que circulam sobre essa guitarra nos fóruns da internet !

Ah, a SX SST62, a queridinha os fóruns  a "rainha dos upgrades", a incrível guitarra com "as mesmas madeiras da Fender", aquela mesma que com pequenas melhorias poderia soar "como uma Fender americana"...

Brincadeiras à parte, vamos tentar investigar o que tem de verdade e de mito sobre essa guitarra !

Creio que por volta de 2003,  strateiros experientes entravam nas lojas e ficavam intrigados com uma guitarra de uma marca que ninguém conhecia. Nessa época, quase todas guitarras baratas vendidas no Brasil não passavam de tosqueiras, feitas com corpo de compensado e sérios defeitos de projeto e fabricação. Acabamento então, melhor nem comentar... Mas essa guitarra que tinha escrito "Shelter Traditional Series" no seu headstock apresentava um bom padrão de acabamento e madeiras bonitas. E melhor, quando plugada, realmente se ouvia aquele belo som de stratocaster que (quase) todos gostam !

Que guitarra era essa ?

A empresa Habro, um dos grandes importadores e distribuidores de instrumentos musicais no mercado brasileiro, "descobriu" uma fábrica asiática (parece que na Indonésia), que já teria inclusive "produzido para a Fender". Evidentemente, se tem alguma verdade nisso só poderia ter produzido para linha Squier, já que Fender mesmo não era fabricada na ásia por essa época (hoje sim, com a linha chinesa "Modern Player", excelentes guitarras por sinal). Mas o fato é que a Harbro trouxe lotes dessas guitarras e mandou colocar no headstock a marca "Shelter", uma grife criada pela própria Harbro para comercializar instrumentos importados.

Shelter FST62


Os primeiros lotes que chegaram aqui tinham a inscrição "Shelter Traditional Series Custom Hand Made" no headstock e o modelo era denominado "FST62" (assim mesmo com "F" !)

Tenho ainda uma dessas, vejam a foto do headstock (as ferragens douradas não são originais):

Headstock Shelter FST62 Traditional Series

O nome "FST62" era uma alusão à Fender Stratocaster 1962, de quem as FST62s seriam "cópias". Na verdade não podem ser consideradas "cópias" no sentido estrito da palavra, e sim apenas um instrumento, digamos, "inspirado" na Strat 62. Se você quiser uma cópia de verdade da Fender Strat 62 vai ter que comprar alguma reedição da própria Fender ou encomendar a algum Luthier que saiba bem o que está fazendo.

Vejam uma foto de uma reedição americana da Fender 62, para começar, notem que a cavidade do tensor está escondida no final do braço e não no headstock:

Fender American Vintage 62 Stratocaster






Muito bem, mas apesar de não ser uma cópia fiel, a FST62 tinha muitas coisas boas. vamos ver:

Acabamento: A pintura era muito bem feita, cheguei a ver nas cores preta, vinho, creme e amarelo. O acabamento era em poliuretano (PU), como a maioria das Strats modernas (mas se fosse mesmo uma cópia da Fender 62 deveria ser em nitrocelulose !) assim como o verniz do braço. Algumas vinham com acabamento Sunburst 3T, muito bem feito. Cheguei a ter uma dessas, que era linda, me arrependi de ter vendido. Fotos dessa guitarra circularam em fóruns mas garanto que foi minha, (quem me vendeu foi o vendedor George.Del, bem conhecido no ML), vejam (trastes, alavanca e plásticos não originais) !

Sheter SFT62 Sunburst 3T

Plásticos: O escudo mint green e os plásticos eram de boa qualidade e bem bonitos. 

Parte elétrica: a parte elétrica em si não se destacava, com potenciômetros e switch genéricos mas os captadores eram caps cerâmicos de qualidade bastante aceitável, capazes de entregar um bom som de stratocaster. Vou escrever muitos posts sobre "upgrade" futuramente, claro que a guitarra ganha com um bom set de singles em alnico, principalmente se vc tiver um amp valvulado mas acho uma bobagem pegar uma guitarra dessas já pensando em trocar os caps, já que com os caps originais dá para encarar numa boa a fase de aprendizado, ensaios ou mesmo shows. 90% dos upgrades que a gente lê em fóruns é apenas jogar dinheiro fora...

Mas os captadores originais não eram ruins, inclusive sua construção era cuidadosa, vejam a foto deles:

 
Captadores originais SX SST62


Notem que os pinos dos pólos têm o corte reto, inclusive se confundem com os bons caps em alnico. Interessante também a boa qualidade da fiação e o detalhe da chapa de metal na parte traseira.

Madeiras: e, finalmente, a pergunta que não quer calar: "eram as mesmas madeiras da Fender ?!" Bem, vamos analisar. Nas especificações do fabricante dizia: corpo: Alder; braço: Maple e escala: rosewood. São madeiras muito associadas às Fenders. Nesse ponto, temos que dizer duas coisas. Primeiramente, Leo Fender não era um Luthier e sim um extraordinário homem de indústria que teve a visão de produzir instrumentos de qualidade para músicos profissionais com um preço acessível. Alder e Maple são madeiras do hemisfério norte (sim, não crescem no Brasil !) que são utilizadas comumente em construção de móveis e casas, não são madeiras "nobres", Rosewood é uma madeira da família do nosso jacarandá que cresce em diversas regiões do mundo. Tais madeiras estariam disponíveis para as indústrias asiáticas ? Sim, porque como expliquei no post Guitarra boa, bonita e barata !, praticamente quase toda indústria moveleira mundial se transferiu para a China/Asia, a reboque disso, quase toda a produção mundial de madeira também foi direcionada para esses países e a indústria de instrumentos musicais tirou proveito disso. * * * Edit out/2015 * * * no site da Harbro, a descrição da madeira do corpo das SST62/57 passou a vir como "basswood" ao invés de "alder", no entanto, no site internacional (SX Spain) a descrição continua como alder, voltarei ao assunto em breve !

Resta então a questão de verificarmos se madeiras são as mesmas em natureza e qualidade.

Com relação ao Rosewood, não tenho dúvidas, inclusive vi várias com peças bem bonitas na escala. Aqui vai uma observação interessante. A espessura da peça de rosewood da escala das SX era bem maior do que as que costumam vir na Fenders. Vejam uma foto comparando a minha Fender American Standard com a FST62: 

FST62 a esquerda, Fender Ams à direita

Notem que a escala da FST62 é mais grossa do que a da Fender. Atribuo a isso o som um pouco mais grave das SX.

Com relação ao Maple do braço também não tenho dúvidas, inclusive cheguei a ver algumas com figuração tigrada (tiger maple). Os braços das guitarras que eu tive, examinei ou regulei me pareceram  estáveis e de muito boa qualidade. 

A dúvida fica com relação ao corpo de Alder, isso porque na maioria das guitarras a pintura encobre a madeira, impossibilitando a identificação e mesmo as de acabamento semitransparente tal identificação não é fácil. Por outro lado, vamos ver mais a frente alguns modelos SX com corpo em Ash, essa sim uma madeira facilmente identificável. Como verificamos que as SX em Ash eram realmente feitas com essa madeira, não vejo porque não aceitar que o Alder das SX seja, de fato, Alder. As em acabamento semitransparente que eu examinei me pareceram realmente Alder, o peso é bem compatível com o que se espera do Alder. No entanto, um Luthier da minha cidade me disse que têm dúvidas quanto a isso, fica registrado então. No excelente Blog do Paulo May, um guitarrista e Luthier que entende muito de construção de guitarras também constam observações sobre o Alder que ele encontrou nas SX e os das Fenders Americanas, quem quiser informações mais detalhadas o link e o seguinte:


Nesse ponto, podemos responder a questão se as madeiras são as "mesmas das Fenders". Sim, ressalvado o que foi dito acima, são. Mas seriam da mesma qualidade ? Bem, fica difícil afirmar isso porque até entre Fenders da mesma linha existem diferenças significativas no madeiramento. Talvez a Fender tenha um processo de secagem dessas madeiras mais maturado, já que muitas indústrias usam estufas para secagem rápida das madeiras mas não vejo razões sólidas para afirmar que as madeiras das SX sejam piores, ou muito piores, como queiram, então tá valendo !

Os corpos eram feitos em dois ou trés pedaços, como acontece até nas Fenders americanas mas a FST62 da foto acima tinha o corpo em peça única (dá para ver pela foto) !

Construção: o braço de 21 trastes era bem feito, embora não possa ser comparável ao de uma Fender de qualidade, os trastes colaboram muito nesse sentido. O corpo também era cuidadosamente usinado.

Tarraxas: A guitarra tem tarraxas no estilo vintage de qualidade bem ruim, esse é um dos pontos fracos dela. No entanto, ainda acho que não vale a pena trocá-las, a maior parte das queixas de desafinação são causadas por cordas mal colocadas ou pela ponte, que vamos ver a seguir.

Ponte: a guitarra vem equipada com ponte modelo vintage (6 parafusos), de péssima qualidade. Aparentemente, as pontes eram usinadas pelo próprio fabricante pois não obedeciam exatamente ao padrão e as medidas das peças de reposição Fender. Isso é péssimo, porque dificulta em muito a substituição. Durante muito tempo eu pensei ser inviável substituir essa ponte mas um guitarrista experiente mostrou que era possível sim substituir por uma Wilkinson (que segue o padrão Fender), apenas colocando primeiro os dois parafusos do centro e depois colocando os restantes forçando um pouco a entrada dos parafusos. Mas qual é o problema com essa ponte ? Carrinhos de péssima qualidade, o usinamento da chapa da base é mal feito, a própria chapa é muito fina e o "fulcrum", aquela peça de metal que fica dentro da cavidade de madeira tinha pouca massa, prejudicando a entonação. Minha recomendação para quem comprar uma guitarra assim é não utilizar a alavanca, imobilizando a ponte através da colocação de todas as 5 molas esticadas ao máximo, ou então fazer um bloco de madeira para imobilizar a ponte.

Trastes: trastes vintage, bem finos, de qualidade média, isso diminui  a versatilidade da guitarra. O trabalho de colocação de trastes era até razoável mas ainda assim exige levar a guitarra a um Luthier para um nivelamento fino dos trastes (farei um post sobre isso no futuro)


Ok, examinadas as características básicas da guitarra vamos ver agora os diversos modelos que se seguiram.


SX SST62

Depois de um tempo, parece que a tal fábrica da Indonésia cresceu e passou a vender instrumentos para outros clientes em todo o mundo. Hoje, existe um site muito bem estruturado com os proutos da marca:



mas o fato é que as guitarras distribuídas pela Harbro passaram a vir com um headstock diferente, dessa vez com a inscrição SX, ao invés de Shelter, e a guitarra passou a se chamar "SST62" no lugar de "FST62", vejam (observem também, que as tarraxas não são originais nessa foto):

SX SST62



Apesar da mudança nos nome, o instrumento era exatamente o mesmo da Shelter FST62, inclusive na qualidade (e nos defeitos !).

Após uns anos, para a tristeza de muitos, a Fender começou a pegar pesado aqui no Brasil com aqueles que copiavam seus modelos, exigindo sob ameaça de processos que se fizessem mudanças no formato do headstock. Com isso, muitos fabricantes mudaram o design de seus braços, colocando o famoso (e feioso !) "bico de papagaio", e a Harbro também efetuou tal mudança, passando os modelos a vir com o seguinte headstock:


SX SST 62 - Headstock "Bico de Papagaio"

Temos que reconhecer que chegaram a um design bem sóbrio, sem aqueles "bicos" exagerados ! Mais uma vez, apesar da mudança cosmética, o instrumento era exatamente o mesmo da Shelter FST62 !



SX SST LT2


Pois bem, com o sucesso da SST62, turbinado pela reviews miraculosas que pululavam nos fóruns da internet, a Harbro lançou um outro modelo, SX SST LT2, aparentemente com a intenção de oferecer um instrumento que dispensasse qualquer upgrade, mais voltado para os músicos profissionais. Como novidade, trazia o corpo em ash, ferragens douradas, captadores em alnico, escala clara, tarraxas seladas, escudo "pearloid" e ainda vinha acompanhada de um belo case de alto padrão. Estranhamente, o encaixe do braço era a 3 parafusos, como nas Fenders 70's. A ponte era a semelhante às da SST62. Foi uma das maiores pechinchas do mercado, já que era vendida por cerca de 800 e poucos reais ! Não sei por que, essa linha durou pouco...

SX SST LTD






SX SST ASH


Pouco depois, apareceu uma outra linha denominada "SX SST ASH". Comparada com a SST62, vinha com um copo em Ash ao invés de Alder, porém, com a diferença de que o corpo vinha sem acabamento, parecia que a madeira era apenas encerada. Isso é péssimo, pois expõe o corpo a danos e batidas, já a pintura e o PU protegem muito a madeira. Para piorar, os corpos eram feitos de 3 ou mais pedaços de Ash colados sem nenhum critério, o que fica muito feio nessa madeira tão figurada. Como vantagem, vinha com tarraxas seladas, ao invés de "vintage".





SX SST57


Desde o lançamento da SST62, muitos reclamavam da falta de uma opção de braço com escala clara. Foi lançado então a SX SST57, que oferecia essa ótima opção de braço inteiriço em maple. A guitarra ainda era a mesma, com exceção do braço e do escudo, que nesse modelo era branco ao invés de "mint green":

SX SST757




SX ALDER

Em 2009, o lançamento de a nova linha SX Alder, trouxe de novo a discussão se o Alder das  SX era o mesmo das Fenders, já que essa linha anunciava como atrativo o uso do "Alder americano". Também vinham com tarraxas seladas. Estranhamente, pela primeira vez vi que o corpo da guitarra não tinha a espessura padrão das Fenders  (4,5cm), sendo um pouco mais fino. Apesar disso, toquei em uma Strat e um baixo dessa linha e achei eles bem legais.

SST Alder



CONCLUSÃO


Pelo visto, a saga das SX ainda está bem longe de acabar, hehe ! Não falei aqui de modelos de menor importância para a compreensão da linha das SX, como a SX SST SKY, que lembra o modelo Fender signature do SRV e até uma coisa chamada SST62 3/4, que é construída em uma escala menor. O que temos que ressaltar aqui é que o mercado de guitarras mudou desde o aparecimento das SX, hoje, temos também opções de qualidade para instrumentos baratos em outros fabricantes. Ainda assim, considero ainda essa linha imbatível na faixa de preços abaixo dos R$ 500,00, uma excelente opção para quem está começando na guitarra e até mesmo para guitarristas experientes !

Quanto a famosa "equação" SX + boas peças = Fender, será que é verdadeira ? Bem, prometo responder quando fizer o post sobre upgrades, hehe! 

Espero que gostem desses post, pretendo mandar reviews iguais a essa sobre outros modelos e fabricantes. Se alguém quiser mandar idéias, correções e críticas sobre esse post, sinta-se a vontade !

Abraços e até a próxima, fiquem com um vídeo mostrando o belo som da SST62 (não sou eu tocando, é um gringo) !





Clique aqui para ver algumas medidas do braço da SX SST62

Clique aqui para ver um upgrade em uma SX FST62

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Guitarra bonita, boa e barata ?! Sim, existe ! (Comprando uma guitarra Parte III)

No post anterior da série, vimos que é mais vantajoso para um principiante optar por um modelo de entrada, uma guitarra mais barata porém adequada para quem está começando.

Guitarras Chinesas


Nesse ponto, temos que analisar o fenômeno das guitarras fabricadas na China. De fato, na atualidade, guitarra barata é sinônimo de guitarra chinesa. O que aconteceu ? São boas ? vale a pena comprá-las ? Existe diferença entre elas ? Bem, o que vamos falar aqui também se aplica a guitarras em outros países da ásia, como Coréia, Indonésia, etc.

Bem, com as profundas mudanças políticas e econômicas que aconteceram na China a partir do final dos anos 90, fizeram com que  setores indústrias que dependiam de mão de obra intensiva se desenvolvessem naquele país.  As primeiras guitarras chinesas que chegaram no Brasil eram muito ruins, com corpo de compensado, ferragens horrorosas e não raro, defeitos graves de projeto e fabricação. Mas se tem uma coisa que sabemos sobre os orientais é que eles aprendem rápido...

Máquinas CNC na fabricação de guitarras 


Duas coisas muito contribuíram para a melhora da qualidade das guitarras chinesas . A primeira foi a utilização de máquinas CNC na fabricação de guitarras. O que são máquinas CNC ? A sigla quer dizer "Controle Numérico Computadorizado". Na verdade são quase robôs que conseguem esculpir na madeira os corpos e braços das guitarras tendo na memória uma imagem 3D dessas peças. Por incrível que pareça, essas máquinas não tão caras assim e com sua utilização, praticamente acaba a possibilidade de erros de projeto e fabricação.

Vamos ver o vídeo de um equipamento CNC esculpindo o corpo de guitarra ?



Sinistro, não ?!

A segunda coisa que melhorou a qualidade das guitarras chinesas foi a disponibilidade de boas madeiras. Por que isso aconteceu ? Praticamente quase toda indústria moveleira mundial se transferiu para a China, a reboque disso, quase toda a produção mundial de madeira também foi direcionada para  esse país e a indústria de instrumentos musicais tirou proveito disso.


Falsos mitos sobre guitarras chinesas


Muitos ainda tem uma visão errada sobre guitarras xing-ling ordinárias. Evidentemente, dependendo da faixa de preço, vamos encontrar instrumento ruins mas existem instrumentos de altíssima qualidade fabricados na China. vamos analisar alguns pontos:


  • Falsificações: fuja delas ! De fato, existem muitos sites chineses que oferecem falsificações com os nomes de Fender, Gibson e outros no headstock. Em primeiro lugar, falsificação é crime e dá cadeia. Depois, você não tem a menor certeza do que vai receber, sei de casos de guitarras falsas que nem tensor tinham ! Se seu vizinho comprou uma guitarra falsa e veio um instrumento muito bom, você pode comprar no mesmo site e vir uma porcaria, aliás, você não tem nem mesmo certeza de que vai receber algo, enfim fria total !
  • Ruim hoje, boa amanhã: um importador brasileiro encomenda um lote de guitarras chinesas e manda colocar o seu logo no headstock. Possivelmente, ele vai negociar com um exportador chinês que, por sua vez vai terceirizar essa encomenda para uma ou mais indústrias que também têm suas cadeias de terceirização. A coisa é muito dinâmica, com indústrias abrindo, fechando e sendo vendidas o tempo todo. Quando esse mesmo importador, após alguns meses, encomendar um novo lote, pode ser que esse lote seja fabricada por outra indústria bem diferente, então não dá para dizer que tal marca é ruim ou é boa, tudo muda com o passar do tempo e a tendência é a melhora de qualidade.
  • Grifes: hoje, com exceção da Gibson, quase todas as marcas possuem linhas de instrumentos  chineses, inclusive a Fender, que lançou recentemente a linha "Modern Player", que é fabricada na China e tem excelente qualidade. Aliás, a Fender já tinha a linha "Lite Ash" que era coreana. Temos que ressaltar também que a Squier, segunda linha da Fender e também fabricada na China, tem guitarras de alta qualidade nas suas linhas "Standard", "Classic Vibe", "Vintage Modified" e "DeLuxe". Outras marcas como PRS e Brian Moore, associadas a instrumentos de alta qualidade também têm seus modelos chineses, então, viva as chinesas !



E o que procurar em uma guitarra para iniciantes ?

Agora que perdemos um pouco o medo das guitarras chinesas, vamos listar o que é mais importante pesquisar quando estamos comprando uma guitarra para iniciantes:

  • Corpo feito com madeira de verdade e não com compensado e aglomerados.
  • Braço extremamente bem feito e confortável
  • Uma guitarra que não precise de upgrades (troca de peças), pelo menos em um primeiro momento

No próximo post da série, vou explicar melhor os pontos acima, ate lá e abraços !



quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Um iniciante deve comprar uma guitarra cara ? (Comprando uma guitarra Parte II)

Conforme falei no primeiro post desse Blog, muita gente quer tocar guitarra hoje em dia, em função do jogo Guitar Hero, das igrejas e de vários outros fatores. Afinal, é uma coisa bem "cool" saber tocar um instrumento musical, fazer sucesso nas festinhas, encontros da escola e tal !

Mas música é arte e arte exige muito esforço e dedicação. O quanto de dedicação e estudo são necessários vai depender de quais objetivos você tem. Se você quer apenas tocar as músicas de sucesso e se acompanhar cantando, alguns meses de aulas serão suficientes, mas se quer ser um virtuoso do instrumento, terá uma vida inteira de estudos pela frente.

Estou dizendo isso por um simples motivo: a grande maioria dos que compram um instrumento musical acaba desistindo de aprender a tocar. Por quê ? Os motivos são os mais diversos, falta de paciência, achar que não leva jeito para a coisa, não dar conta de aprender sozinho, não ter professor perto de casa, falta de tempo, etc, etc.

Muito bem, mas muitos iniciantes pensam em comprar como primeiro instrumento uma guitarra de qualidade profissional, seja porque têm a oportunidade de comprar mais baratos em viagens  ou porque os pais têm uma condição financeira melhor e se propõem a comprar o que ele escolher. É aquela ideia de "comprar uma guitarra para a vida toda". Não sou contra contra comprar uma bela Gibson ou Fender para aprender a tocar mas existem alguns problemas a se considerar:
  • Um iniciante ainda está encontrando o seu som, às vezes pode comprar uma Fender Stratocaster e depois descobrir que preferiria uma Les Paul;
  • O iniciante ainda não sabe cuidar do seu instrumento adequadamente em temos de limpeza, ajustes ou mesmo prevenir quedas e pancadas. Melhor então aprender em uma guitarra barata;
  • Perigo de uma guitarra cara ser roubada;
  • Instrumento musical costuma ter forte depreciação no preço de revenda, se você comprar uma guitarra nova é quase certo ter prejuízo se quiser vendê-la depois. Então, melhor ter certeza de que vai mesmo "engrenar" na guitarra antes de fazer um investimento alto !
Por tudo isso, acho mais conveniente que um iniciante compre um modelo adequado para iniciantes, mesmo que mais tarde você queira uma guitarra melhor.

No próximo post, vamos falar dos modelos para iniciantes e como avaliá-los, até lá e abraços !




terça-feira, 16 de outubro de 2012

Comprando uma guitarra (parte I)

Olá !

Nesse ponto, após termos estudado as características dos principais modelos de guitarras, você já deve estar em condições de escolher o modelo mais apropriado para o uso que pretende fazer. Ora, então agora basta entrar em um boa loja e comprar, não ?! Mas espere... Houston, temos um problema     !...

Guitarra cara x Guitarra barata !


Vamos dizer que você fez a opção por comprar um modelo Stratocaster. Aí você entra em uma loja e descobre que existem modelos de Stratocaster nas mais variadas faixas de preço, de R$ 300,00 a R$ 6.000,00 !!! E pior, aos olhos do leigo, todas parecem iguais. O que fazer, acreditar no que os vendedores das lojas disserem ? Então vamos precisar continuar o nosso estudo sobre o mercado de instrumentos musicais para entender melhor as opções e tomar a melhor decisão de compra.

Para facilitar, vou apresentar um divisão do mercado de guitarras em termos de faixa de preço e características, embora essa divisão seja apenas didática, nada rígida e bastante pessoal. Veja a tabela abaixo:

PREÇO
- Modelos para Iniciantes 1 DE R$ 200 A R$ 800
- Modelos para Iniciantes 2 DE R$ 800 A R$ 1.200
- Modelos Intermediários DE R$ 1.200 A R$ 2.500
- Modelos Profissionais DE R$ 2.500 A R$ 6.000
- Modelos Custom Shop / Signature ACIMA DE R$ 6.000

Assustou ? De fato, tocar guitarra não é um hobby barato, rs... Mas a boa notícia é que em todas essas faixas, é possível comprar um bom instrumento, obviamente dentro de certas limitações. Antes de discutirmos as características de cada uma dessas faixas de preço, gostaria de chamar a atenção para um fato: a diferença em termos de qualidade entre essas faixas é decrescente.Isso quer dizer o seguinte, a diferença de qualidade entre uma guitarra de R$ 200 e uma de R$ 1.500 é enorme mas a diferença entre uma de R$ 1.500 e uma de R$ 3.500 já não é tão grande assim !

No próximo post, vamos continuar essa série e conversar sobre se um iniciante deveria comprar uma guitarra cara ou uma barata, até lá e abraços !


domingo, 7 de outubro de 2012

Qual guitarra é mais adequada para mim ? (final)


Na última parte do artigo, vamos recapitular o que aprendemos nos artigos anteriores e alinhar algumas conclusões!

Caso não tenha lido as parte anteriores do artigo, clique nos links abaixo:

Parte I (Stratocaster)
Parte II (Les Paul)
Parte III (Superstrat)

Pois bem, nosso objetivo inicial era apresentar argumentos para que você possa escolher qual modelo de guitarra é mais adequado às suas necessidades. Vimos que apesar de existir centenas de modelos de guitarras, quase todos são variações de três modelos básicos: Stratocaster, Les Paul e Superstrat.

Aprendemos quais são as características, vantagens e desvantagens principais de cada um desses modelos básicos. Vimos também que não existe bem essa coisa de "um modelo de guitarra para cada estilo", ainda que dentro do rock, alguns modelos tenham ficado mais identificados com estilos específicos.

Mas para complementar o que aprendemos, vamos analisar alguns outros modelos de guitarra bem conhecidos e ver como se encaixam com os três modelos básicos que estudamos:

  • Telecaster: modelo que antecedeu a Fender Stratocaster, tem um timbre bem próximo a esta. O design da ponte da Telecaster com o seu captador "encravado" na base de metal  e as cordas "atravessando" o corpo, mais a "switch" que permite acionar os captadores da ponte e do braço simultaneamente, dão uma certa característica própria no timbre das teles mas ainda dentro da mesma proposta tonal da Stratocaster.  Pela sua simplicidade e robustez, é um modelo excelente para os iniciantes, mas a maioria dos novos guitarristas não se sente muito atraída pelo modelo, acham "feio", hehe, eu já acho linda ! Ainda assim, como o modelo Stratocaster é mais versátil (um captador a mais e ponte com alavanca), achamos mais vantagem optar pela Strat, caso esteja em dúvida entre as duas.
Fender Telecaster
  • SG, Flying "V" e Explorer: foram modelos criados pela Gibson que também marcaram sua presença na história do Rock, através de grandes nomes que as tornaram famosas. De uma maneira geral, respeitadas algumas diferenças  se aplica a esses modelos tudo aquilo o que falamos anteriormente com relação as Les Pauls. A SG é uma guitarra excelente para iniciantes, tem a vantagem de ser mais leve que uma Les Paul padrão. Já a Flying V, apesar do visual incrível, tem a desvantagem de mais complicada para tocar na posição sentado.
Gibson Flying V

Nesse ponto, creio que você já esteja em condições de combinar os seus gostos pessoais com os argumentos que estudamos aqui para escolher o modelo de guitarra mais apropriado para o som que pretende fazer. Se ainda estiver em dúvidas, bem, você pode reler os textos, pesquisar vídeos no youtube ou conversar com guitarristas mais experientes, até formar uma opinião !

Poderíamos ainda, alinhando tudo o que foi dito anteriormente, concluir algumas linhas de raciocínio;
  • Se quiser tocar rock bem pesado com muita distorção, pense em um modelo com captadores humbuckers, como uma Les Paul.
  • Não compre uma guitarra com ponte do tipo "floyd rose" senão tiver pelo menos um Luthier experiente na sua cidade e se você não puder comprar um instrumento de boa qualidade (que deve custar pelo menos uns R$ 2.000,00)
  • Na dúvida, pegar uma Stratocaster sempre é uma boa opção !
Na próxima série de artigos vamos analisar as diversas opções, faixas de preço e estratégias de compra para você adquirir o seu instrumento, até lá e abraços !


domingo, 30 de setembro de 2012

Qual guitarra é mais adequada para mim ? (parte III)


Na terceira parte do artigo, vamos analisar as vantagens e as desvantagens dos modelos conhecidos como "Superstrats" ou "Superstratos" !

Caso não tenha lido as parte anteriores do artigo, clique nos links abaixo:

Parte I (Stratocaster)
Parte II (Les Paul)

É recomendável também que você leia nosso tutorial partes de uma guitarra elétrica, caso não conheça bem as partes da guitarra ou tenha dúvidas sobre o seu funcionamento.

SUPERSTRATS


Conforme contamos na primeira parte do artigo, a Fender lançou na década de 50 um modelo revolucionário de guitarra, a Fender Stratocaster. Apenas um instrumento supera a Fender Stratocaster em termos de impacto no mundo da música, o baixo elétrico da própria Fender, já que esse instrumento mudou para sempre o som do Rock',n Roll e de toda a música popular no mundo.

Mas desde os anos 50, várias tentativas têm sido feitas para aperfeiçoar o design original da Fender Stratocaster, já que, apesar de ser um instrumento fantástico, tem os seus problemas, em especial:
  • Captadores ruidosos e de baixa saída
  • Design ineficiente da ponte, que gera desafinações, se usada em "manobras radicais"
  • Acesso dos dedos na parte final do braço
A partir dos anos 80, uma nova geração de guitarristas que teve a  frente o grande  Eddie Van Halen,  chegou e mudou para sempre  o mundo da guitarra, com uma abordagem mais virtuosa do instrumento e técnicas que exigiam uma guitarra com design diferente.

Não por acaso, o próprio Van Halen com a sua famosa guitarra "frankstein", feita por ele mesmo, foi um dos primeiros a mostrar que tipo de instrumento a nova geração de guitarristas queria. Basicamente, as modificações desses modelos, que ficaram conhecidos como Superstrats, eram as seguintes:

Superstrat Kramer
  • Braço mais fino e com "radius" (curvatura da escala) apropriado para permitir uma regulagem ("ação") mais baixa das cordas, permitindo solos mais velozes e precisos.
  • Corpo redesenhado para facilitar acesso dos dedos às notas mais agudas.
  • Captadores "humbuckers", que são mais silenciosos e têm mais volume de saída do que os "single coils" originais da Fender.
  • Ponte com o sistema "Double Lock", que permite alavancadas radicais sem desafinar a guitarra.
Esse último ítem (ponte "locking") já tinha o seu design desenvolvido desde o final dos anos 70, em especial pelos fabricantes Floyd Rose e Khaler, especialmente a primeira, que se tornou praticamente um sinônimo de ponte "locking"

Como funciona esse sistema "double locking" ? O próprio nome já dá uma pista, as cordas ficam "travadas" em ambas extremidades, perto do braço pela "locking nut ", que é uma nut com presilhas e parafusos, que uma vez apertados, "travam" as cordas impedindo que deslizem (e desafinem !) e na outra extremidade pela própria ponte. A coisa funciona assim: o guitarrista afina a guitarra normalmente pelas tarraxas e depois "trava" as cordas com os parafusos da "locking nut". Una vez presas, as cordas podem ainda sofrer um ajuste de afinação através dos controles de micro-afinação da ponte.

Ponte tipo "Floyd Rose"



Partes de uma ponte tipo Floyd Rose

Parece complicado ?! Pois você não viu nada ainda ! Como tudo na vida, esse sistema têm suas vantagens e desvantagens. De fato, é um sistema muito mais estável do que as pontes originais da Stratocaster, caso esteja instalada com a famosa "back box" permite alavancar nas duas direções, tensionando e distendendo as cordas e quase que somente com esse tipo de ponte é possível reproduzir os famosos efeitos criados por Van Halen !

Infelizmente, essa versatilidade tem um custo e não são poucas as desvantagens dessas pontes. Vamos listar algumas, sempre lembrando que são opiniões pessoais minhas e muitos guitarristas não concordariam com esses pontos:
  • Como é um sistema mecânico mais complexo e com mais peças, está muito mais sujeito à manutenção e problemas por desgaste, quebra, ferrugem, etc.
  • Precisa de um Luthier experiente para regular, até mesmo para uma simples troca de cordas. Com o tempo, o guitarrista acaba aprendendo alguns procedimentos mas para o iniciante é impraticável.
  •  Pontes do tipo "Floyd Rose" baratas, como as que vêm nas guitarras chinesas, são muito ruins, em pouco tempo começam a apresentar problemas e nem de longe, conseguem reproduzir a performance da Floyd Rose original ou de outras de primeira linha, como as fabricadas pela Gotoh.
  • Outro problema é que principalmente com a "back box", a ponte trabalha "flutuando", ou seja, ela repousa em uma posição de equilíbrio gerada pela tensão das cordas por um lado e pelas molas de outro. É diferente da ponte da Stratocaster que repousa apoiada no corpo do instrumento. E quais as desvantagens disso ? Primeiro, se uma corda arrebentar, as outras perdem a afinação. E pior, em alguns estilos como o Blues e o Country são comuns fazer uma "bend" em uma corda enquanto sustenta outra nota em outra corda. Se fizer isso em uma ponte flutuante, certamente a nota sustentada vai desafinar. Existe um sistema para compensar esse problema conhecido como "ZR" mas  as pontes que implementam são mais caras (e mais complicadas de regular).
  • Segundo alguns músicos, o maciço bloco de metal que é uma ponte "locking" compromete um pouco o timbre final do instrumento.
Não por acaso, após os anos 80 esse tipo de guitarra perdeu muita popularidade e o que vimos foram os músicos do indie e do grunge voltando para os modelos clássicos de guitarra.

Ainda assim, muitos iniciantes querem uma guitarra assim, pois têm o objetivo de se tornarem guitarristas mais técnicos e seus ídolos usam esse tipo de guitarra. Mas devido aos problemas citados acima, não recomendo você comprar uma Superstrat com Floyd Rose se:
  • Na sua cidade não tiver um Luthier competente.
  • Se você não puder comprar um instrumento de ótima qualidade.
A seguir, alguns vídeos mostrando o som característico das Superstrats para você conhecer melhor. Na parte final do artigo, vamos apresentar algumas conclusões e falar um pouco de outros modelos, até lá e abraços !





sábado, 29 de setembro de 2012

Qual guitarra é mais adequada para mim ? (parte II)

Olá ! Nessa segunda parte do artigo, vamos continuar analisando as vantagens e as desvantagens que os modelos de guitarra mais conhecidos oferecem para os inciantes, dessa vez, analisando o modelo Les Paul.

Caso não tenha lido a primeira parte do artigo, clique aqui !

É recomendável também que você leia nosso tutorial partes de uma guitarra elétrica, caso não conheça bem as partes da guitarra ou tenha dúvidas sobre o seu funcionamento.

LES PAUL


Muita gente ainda não sabe mas Les Paul é o nome de um dos maiores guitarristas que já pisaram nesse planeta ! Lester William Polfus, mais conhecido como Les Paul, foi um pioneiro da guitarra elétrica, dono de um virtuosismo genial que marcou a história do instrumento com suas performances inacreditáveis nos estilos country, jazz e blues e também foi um grande inovador da tecnologia musical, sendo atribuído a ele, dentre outros inventos, a criação do gravador multipistas.



A Gibson Les Paul foi resultado da colaboração entre o designer de guitarras da Gibson Ted McCarty e Les Paul, tendo sido lançada na década de 50. Graças ao timbre encorpado e o "sustain" (tempo em que a nota permanece soando)  proporcionado pela construção de braço colado e pelos captadores tipo "humbuckers", a Gibson Les Paul foi adotada por grandes músicos da era clássica do Rock, como Eric Clapton (na sua fase com o John Mayall's Bluesbreakers), Jimmy Page, Pete Tonwsend, Peter Green, Gary Moore, Mick Taylor, Peter Frampton e muitos outros. A partir dos anos 80, com o renascimento do Heavy Metal, guitarristas como Randy Rhoads, Slash, John Norum e, posteriormente,  o pessoal do grunge,  houve um renovado interesse no modelo, que ainda é o grande sonho de consumo de boa parte dos aspirantes a guitarristas !

Assim como aconteceu com a Fender Stratocaster, o modelo Les Paul foi profusamente copiado por outros fabricantes, estando disponível em uma ampla faixa de preços, obviamente com igual variação na qualidade do instrumento...

Em sua versão mais comum, a Les Paul tem o corpo e braço feitos de mogno ("mahogany", em inglês). Como já dissemos no tutorial, o mogno é uma madeira cara e tem sua comercialização restrita (ou mesmo proibida, como no Brasil) por questões ambientais, então, não vamos ser ingênuos de acreditar que Les Pauls de baixo custo sejam construídas em mogno, mesmo quando o fabricante coloca essa especificação no site. É bem comum encontrar Les Pauls construídas em "nato", uma madeira parecida com o mogno mas que de jeito nenhum é a mesma coisa. Alguns fabricantes colocam esses instrumentos com a descrição "nato mahogany" ou mesmo apenas "mahogany" em seus sites, daí a confusão. O que não quer dizer que se a guitarra é de nato é ruim, pelo contrário, é uma madeira adequada à construção de instrumentos, apenas não vamos ser ingênuos de achar que é mogno real...

Braço Colado: Outro aspecto original das Les Paul é o braço colado, numa construção conhecida como "set neck".

Esta construção do braço é muito importante para obter a sonoridade clássica das Les Pauls, uma vez que favorece o "sustain" das notas. Algumas Les Pauls de baixo custo vêm com o braço parafusado, não recomendo que você compre uma Les Paul assim. Alguns iniciantes pensam que se comprarem uma Les Paul de braço parafusado podem depois apenas "colar" o braço. Na verdade isso não vai funcionar a contento, pois o encaixe do braço de uma guitarra de braço colado é totalmente diferente de outra com o braço parafusado, pode até colar mas pouco vai alterar o som.

Tampo de Maple: outro aspecto que merece comentários é o chamado "maple top", que consiste em um pedaço da madeira "maple" colada no corpo de mogno para fazer a parte da frente do corpo. O objetivo desse top de maple é duplo, do ponto de vista do timbre, se tenta equilibrar o timbre final do instrumento combinando os graves do mogno com os agudos do maple e do ponto de vista estético, o objetivo é a beleza do instrumento, já que o maple é uma madeira que pode ser obtida com bonitas figurações.


Tampo de Maple

No entanto, as Les Pauls mais baratas costumam vir com um falso "maple top", na verdade é apenas uma finíssima folha de maple colocada no topo do corpo apenas por razões estéticas (e realmente fica bonito) mas sem influência no timbre final do instrumento. Na verdade isso não chega a ser um problemas, já que muitas Gibsons Les Paul não vêm com tampo de maple (em geral a linha Studio) e nem por isso deixam de ser ótimos instrumentos.

Parte Elétrica: o circuito elétrico clássico das Les Pauls traz dois captadores humbuckers e quatro potenciômetros, um de volume e outro de tonalidade para cada captador, bem como uma chave ("switch") de três posições que permite selecionar um ou outro captador ou os dois junto, quando colocada na posição do meio.



Ponte: Outra características destes modelos é clássica ponte "tune-o-matic":



Ao contrário do que se pensa, a Les Paul é um modelo adequado aos iniciantes, é uma guitarra simples, robusta e versátil. Como sempre, existem vantagens e desvantagens que vamos listar aqui, como sempre, do ponto de vista de quem é iniciante:


Vantagens:
  • Versatilidade: se adapta a vários estilos (embora não tão versátil quanto as Stratocasters).
  • Robustez: a guitarra tem uma construção  robusta mas deve-se tomar cuidado com as quedas pois a construção inclinada do "headstock" costuma causar a sua quebra quando a guitarra leva um tombo, embora, na maioria dos casos, um Luthier consegue reparar esse desastre !
  • Fabricantes: muitos fornecedores com instrumentos nas mais variadas faixas de preços.

Desvantagens:
  • Preço: é um modelo que costuma ser mais ou menos uns 40% mais caro quando comparada com as Stratocasters.
  • Alavanca: não tem alavanca, isso pode ser um problema dependendo das músicas que você queira tocar.
  • Braço: nem todos se adaptam à pegada do braço mais grosso das Les Pauls clássicas mas existem modelos com braço mais moderno e mais fino.

A seguir, alguns vídeos mostrando o som característico das fantásticas Les Pauls para você conhecer melhor. Na continuação do artigo, vamos analisar as Superstrats, até lá e abraços !





quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Qual guitarra é mais adequada para mim ? (parte I)

Antes de você escolher qual a guitarra vai comprar, é importante escolher antes o modelo ou os modelos da sua preferência ou ainda. que sejam mais adequados para o tipo de uso que você pretende fazer dela.

É bom que se diga que boa parte dos iniciantes já sabe qual modelo comprar em função dos modelos usados pelos seus guitarristas preferidos, logo, é bem provável que um fan do Slash queira uma Les Paul, já um fan do Steve Ray Vaughan ou Jimi Hendrix provavelmente vai querer uma Stratocaster. Não há nada de errado nisso, entretanto, vamos analisar aqui as vantagens e desvantagens de cada modelo.

De cara, é preciso desfazer o mito de que existe "uma guitarra para cada estilo", como se costuma ler nos fóruns que "para tocar country você precisa de uma Telecaster", "para tocar jazz uma semiacústica", e tal... Isso não existe !

Nesse ponto, caso você tenha dúvidas sobre o que é, quais são as partes e como funciona funciona uma guitarra elétrica, sugiro que você leia antes o nosso Tutorial: partes de uma guitarra elétrica pois vamos usar alguns nomes de componentes que talvez você ainda não conheça.

Existem centenas de modelos de guitarras mas quase todos são derivados ou são variações dos três modelos mais conhecidos:

  • Stratocaster
  • Les Paul
  • Superstrat
Vamos analisar as características, vantagens e desvantagens de cado modelo. 

STRATOCASTER


Criada na década de 50 por Leo Fender e seus colaboradores, tinha um design revolucionário, princialmente pela sua ponte "tremolo" e se tornou o modelo de guitarra mais popular do mundo. Curiosamente, foi um instrumento concebido como evolução da Telecaster para os guitarristas de música country, mas sua extraordinária versatilidade e os sons incríveis  que Jimi Hendrix tirava das suas Fender Stratocasters transformaram o modelo no corpo e alma do Rock'n Roll ! As características principais desse modelo são as seguintes:
  • Construção com braço parafusado ao corpo ("bolt on")
  • 3 captadores montados sobre um escudo plástico
  • Ponte tipo "tremolo" (alavanca)

Fender Stratocaster

A configuração original dos captadores eram 3 "single coils". Essa configuração é conhecida como "SSS". Hoje, temos várias configurações de captadores, uma das mais comuns é que vem com 2 single coils, um perto do braço e outro no meio e um humbucker na ponte, conhecida como "SSH" (acho que vc já entendeu por que, não ?!). Se tiver dúvidas com esses nomes leia o tutorial recomendo acima. 

Pela sua versatilidade e robustez, é uma guitarra extremamente recomendada para os iniciantes. O timbre desse modelo fica lindo quando tocado "clean" (som natural, sem distorção), aquele som inconfundível, estalado e casa muito bem com o "drive" do amplificador ou pedais, o que a faz uma guitarra espetacular para tocar Classic Rock, Blues, Country, Pop, Jazz e outros estilos. A restrição que se faz é quanto ao som muito pesado. É claro que pode ser usada, principalmente na configuração "SSH", mas se você quer um som de extremo peso, melhor pensar em outro modelo...

Fender Stratocaster com Humbucker na ponte ("SSH")

Poderíamos falar horas sobre Stratocasters mas vamos voltar ao assunto muitas vezes em posts futuros, para não ficar cansativo, vamos falar sobre as vantagens e desvantagens desse modelo, do ponto de vista que mais interessa aos iniciantes, é lógico !

Vantagens:
  • Versatilidade: se adapta a vários estilos
  • Robustez: guitarra muito robusta, basta ver algum vídeo do SRV  tocando, hehe !
  • Peças: existe enorme variedade de peças de reposição para upgrades (melhorias na guitarra) ou substituição
  • Fabricantes: é o modelo mais copiado, consequentemente, têm muitos fornecedores com instrumentos nas mais variadas faixas de preços, stratocaster, você ainda vai ter uma !
Desvantagens:
  • Ruídos: os captadores do tipo single coil captam ruídos espúrios (no tutorial eu explico o porque), isso é um problema para quem gosta de usar muita distorção no som, a solução passa por mandar um Luthier fazer uma blindagem na guitarra ou mesmo substituir os captadores por modelos que não possuem esse problema (conhecidos como "noiseless), infelizmente estes caps são caros.
  • Alavanca: não é propriamente uma desvantagem mas a alavanca das stratocasters não foi concebida pra "manobras radicais", como as pontes tipo Floyd Rose. O uso exagerado resulta em desafinação da guitarra. Existem dois modelos básicos de ponte de stratocasters, a chamada ponte vintage, que têm seis parafusos e a ponte pivotada, que é suportada por 2 pivôs. A ponte pivotada é bem melhor e mais estável do que a vintage mas só costuma estar disponível nos modelos mais caros. Quando bem regulada, essa ponte permite até algumas "manobras radicais", basta ver os vídeos do Jeff Beck !

Ponte tipo "vintage"

Ponte pivotada

A seguir, alguns vídeos mostrando o som característico das Stratocasters para você conhecer melhor. Na continuação do artigo, vamos analisar as Les Pauls, até lá e abraços !